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CIDADES
Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 20h:56

VIOLÊNCIA

A última traição

Assassinos de empresária confessam o crime e acusam o marido de ter encomendado e premeditado a morte da esposa

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Os dois autores confessos do assassinato da empresária Angela Cristina Peixoto da Silva, de 32 anos, não só confirmaram que foram contratados pelo marido dela, Damião Rezende, como também revelaram quanto receberiam pelo crime. Acertaram em R$ 3 mil em dinheiro, além dos objetos roubados da casa – três TVs de tela grande, um notebook e diversas jóias e o carro que levaram, a picape S10 que tem seguro e não traria prejuízo para o suposto mandante. O assassinato ocorreu anteontem no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá. Foram presos como autores Daniel Paredes Ferreira, de 22 anos, e Maycon José Cardoso Nogueira, de 23, na cidade de Miranda (MS), próximo de Corumbá. Em Cuiabá, a Polícia Civil prendeu em flagrante Damião Rezende, como mandante. Segundo o delegado Anderson Cleiton da Veiga, da Delegacia de Repressão a Roubos de Veículos (DERRFVA), a confissão da dupla ocorreu em interrogatório em Miranda, com o delegado Márcio Obara, do Garras de Mato Grosso do Sul. Os criminosos acrescentaram que já haviam combinado há alguns meses a execução da empresária. Ao delegado do Garras, os dois disseram que o crime foi encomendado porque Damião estava sendo traído e resolveu eliminar a esposa. “Foi onze-onze”, relatou um dos autores. Na gíria, onze-onze significa chifre, traição ou ciúme doentio. Os policiais, no entanto, acreditam que a motivação seja ambição financeira. Ângela era proprietária do Restaurante Peixoto, no bairro Campo Velho, e o vendeu para se mudar com Damião para o Jardim Presidente. Os dois criminosos, que são de Cuiabá, disseram que os produtos roubados estavam na casa de Maycon, no Grande Terceiro, onde policiais da DERRFVA apreenderam também quase 15 quilos de cocaína. No local funcionava um laboratório de refino de cocaína. Damião alegou que o controle remoto de sua casa havia sido roubado durante uma festa de aniversário, mas os dois autores do assassinato já o tinha recebido meses antes, como estratégia do crime. Para que a filha do casal não ficasse traumatizada, ficou combinado que a esposa ficaria detida num quarto e Damião em outro com a filha. Durante a execução do crime, o comerciante teria se mostrado extremamente frio, tendo ficado no interior da casa, escutando música, enquanto a mulher era esfaqueada. "Ele (Damião) ficou dentro de casa, na parte da frente, escutando música. A filha do casal dormia no quarto ao lado do cômodo onde a mãe era assassinada a facadas", disse o delegado. Ângela recebeu 17 facadas.

Edição EDIÇÃO 16967




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