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CIDADES
Sábado, 02 de Março de 2013, 12h:38

BEM-VINDO A CUIABÁ

A primeira impressão

Além do calor, viajantes observam que falta infraestrutura no aeroporto, nas rodovias e no Terminal Rodoviário

ALECY ALVES
Da Reportagem
Se a primeira impressão é a que fica, o que diria, além da frase recorrente: “nossa, que calor!”, quem pisa em solo cuiabano pela primeira vez. Aquele que acaba de desembarcar do avião ou está chegando de ônibus, carro de passeio ou caminhão, a turismo ou negócio, mesmo que não tenha a capital mato-grossense como destino final, apenas cruze-a, tem uma opinião sobre o lugar que conheceu ou por onde passou rapidamente. Com Cuiabá, óbvio, não seria diferente. Sendo assim, que tal matar essa curiosidade? Afinal, Cuiabá não é mais uma inexpressiva capital interiorana na qual, como pensaria alguns, poderiam encontrar jacarés e onças circulando pelas ruas. Além de integrar o seleto grupo de cidades-sedes da Copa de 2014, o mais propagado dos feitos cuiabanos, este ano Cuiabá invadiu o sambódromo da Marquês de Sapucai, no Rio de Janeiro, como tema do desfile de Carnaval da Estação Primeira de Mangueira, uma das mais tradicionais escolas do samba. Para o professor porto-alegrense Luiz Manoel Pereira dos Anjos, 49 anos, o espanto veio do calor e das improvisações no aeroporto Marechal Rondon. Ele diz que sabe que o terminal aéreo fica na cidade vizinha de Várzea Grande, mas entende que representa os serviços da Capital e atende o estado todo. Em visita a parentes pela primeira vez, conta que se assustou com o calor, mesmo com os avisos prévios que recebeu dos primos que moram no interior de Mato Grosso. “O povo parece receptivo, alegre, mas a falta de infraestrutura aeroportuária é visível”, opina, observando que o terminal está em obras, mas nada que aponte para algo grandioso ou mesmo compatível com uma cidade que sediará jogos da Copa, o maior espetáculo do futebol mundial. Advogado e professor universitário, Fernando Kinoshita vive entre Florianópolis e Cuiabá há alguns anos por causa do trabalho, gosta da cidade e das pessoas, mas vê carências de infraestrutura. Ele acha que o aeroporto poderia ser referência para o Centro-Oeste com um terminal de cargas internacional, que pudesse suprir a carência de transporte ferroviário, da ferrovia que nunca chega e da hidrovia que não sai do papel, além da precariedade das rodovias. A cidade, assinala, merece construções modernas e grandiosas que chamem a atenção. Chegando de carro da cidade de Ourinhos, interior paulista, o comerciário Antônio Santos Alves Pereira, 39 anos, e a mulher, Ana Maria Pereira, 35, tiveram uma boa impressão da cidade ao entrar no perímetro urbano e avistar o “Bem-vindo a Cuiabᔠfixada ao alto, no centro da BR-364. Olhando às margens da rodovia, contemplou jardins com belo gramado, flores, um coqueiral e, a menos de 20 metros, uma construção cercada por mangueiras sob as quais, á sombra, havia uma pequenina cascata contornada por bancos. “Esse lugar convida para o descanso”, diz, se referindo ao comércio, um misto de lanchonete, restaurante e lojas de vinhos e produtos regionais artesanais, erguido por um empresário gaúcho há quase três décadas. Se a primeira impressão foi boa, a segunda, pode se dizer assim, em nada se compara. Cerca de 5 quilômetros a frente da placa de “Bem-vindo” o casal, que está na cidade visitando amigos, avistou um grande ponto de prostituição e drogas. “Chegamos quase no final do dia e percebemos que o local era perigoso ao para pedir informações”, explica.

Edição EDIÇÃO 16964




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