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CIDADES
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004, 20h:27

AMBIENTE

16,2% do Cristalino está desmatado

Relatório do Ibama mostra que 29 mil hectares do parque já foram derrubados, principalmente por madeireiros

MARIA ANGÉLICA OLIVEIRA
Da Reportagem
Uma operação realizada pelo Ibama e Polícia Federal no Parque Cristalino, extremo norte do Estado, constatou que 16,2% da área está desmatada, totalizando 29,9 mil hectares. No entorno da unidade em Mato Grosso, o índice de derrubada é de 33,5%. O parque possui 184,9 mil hectares. O resultado da operação, um calhamaço de mais de 200 páginas, foi encaminhado à Justiça Federal na semana passada. O relatório propõe 25 medidas para tentar solucionar os problemas ambientais e fundiários do parque. A equipe esteve no local durante 40 dias, entre maio e junho, e constatou diversos crimes ambientais. “(O parque) tem sido alvo de invasões, desmatamentos e retirada ilegal de madeira”, concluiu o documento. Até atividade de garimpo foi encontrada no entorno. Durante a operação, dez fiscais do Ibama expediram 14 autos de infração, totalizando R$ 1,49 milhão em multas. Houve recolhimento de 2,6 mil metros cúbicos de madeira em tora relacionados em 16 termos de apreensão e depósito. O chefe da divisão de fiscalização do Ibama, Marcos Pinto Gomes, explica que a madeira é retirada por “toreiros”. São pessoas que invadem o parque, roubam toras e vendem para madeireiras de cidades vizinhas como Carlinda, Novo Mundo, Alta Floresta e Paranaíta. Outra infração constatada foi a extração ilegal de palmito. O relatório “destrincha” a situação em que se encontra o parque e faz propostas para definição de competências, ou seja, se a responsabilidade ficará a cargo do Ibama ou Fema. Uma das propostas do Ibama é transformar o local em área federal. A medida seria uma forma de solucionar a discussão acerca dos limites do Cristalino. Há estimativas de que os limites do parque, que é estadual, cheguem até o Pará. Algumas áreas seriam de propriedade do Exército, na base aérea da Serra do Cachimbo, sul do Estado vizinho. O Ibama também sugere a incorporação de algumas áreas do Pará, formando o Parque das Nascentes: extremo sudeste da Serra do Cachimbo, cabeceiras dos rios Cristalinos, Ipiranga, São Benedito, Flechas, Curuá, Curuaé, Iriri e Inhandu. Outra medida seria o reconhecimento oficial do corredor ecológico do norte de Mato Grosso e Sul do Pará, criando outras unidades de conservação. “É um dos lugares mais ricos em termos de biodiversidade da Amazônia”, afirma a chefe do Ibama em Alta Floresta, Ana Luísa Mancini. Na região, existem cerca de 500 espécies de pássaros catalogadas e seis comunidades naturais (diferentes formações de vegetação). Um perito federal está fazendo a verificação das coordenadas, medida determinada pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva em março desse ano. A Polícia Federal está apurando denúncias de crimes ambientais e formação de quadrilha. Desde dezembro de 2002, a área está sob responsabilidade da União. Porém a medida foi tomada em caráter liminar, ou seja, provisório. A partir da decisão, o Ibama ficou responsável pela fiscalização e o Incra passou a ser o fiel depositário da área. Também foi feito o cancelamento de todas as titulações em andamento. Em março de 2003, outra medida judicial determinou a retirada de todas as pessoas que tivessem entrado no parque após a decisão de dezembro de 2002.

Edição EDIÇÃO 16963




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