BRASIL
Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010, 09h:23
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MENSALÃO
STJ decreta prisão e Arruda se entrega
A Corte aceitou o pedido de prisão do governador e mais cinco pessoas; à noite, defesa ainda aguardava decisão sobre pedido de hábeas corpus no STF
VANNILDO MENDES e JOÃO DOMINGOS
Da Agencia Estado Brasília
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), se apresentou na tarde de ontem à Polícia Federal em Brasília após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decretar, por 12 votos a 2, sua prisão por envolvimento na tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra. Seis carros que deixaram a residência oficial em Águas Claras acompanharam Arruda até a PF. Além de determinar a prisão de Arruda, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento dele do cargo. Além de Arruda, o STJ determinou a prisão do ex-deputado Geraldo Naves (DEM); Weligton Moraes, ex-secretário de Comunicação; Rodrigo Arantes, sobrinho do governador; Haroaldo Brasil de Carvalho, diretor da CEB (Companhia Energética de Brasília); e Antonio Bento da Silva, conselheiro do Metrô. Silva, no entanto, já está preso. Os carros, todos com vidros escuros, chegaram pela entrada principal e se dirigiram ao Instituto de Criminalística, que fica ao lado da superintendência. A Corte aceitou o pedido de prisão do governador e mais cinco pessoas. O tribunal decidiu ainda pelo afastamento de Arruda do governo do DF. ADVOGADOS O advogado Nélio Machado entrou com pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que decretou a prisão do governador. \\\"Tudo foi feito de forma irregular, abusiva e irresponsável\\\", disse Machado. O advogado pediu que o ministro Marco Aurélio Mello seja designado para relatar o caso no STF, porque já teria analisado outro caso envolvendo a Operação Caixa de Pandora. Até às 21h30 (hora de Mato Grosso) de ontem o ministro ainda não havia se pronunciado sobre o pedido da defesa. LULA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi comunicado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, sobre as circunstâncias em que ocorreu a prisão. Segundo auxiliares do presidente, Lula quis saber como foi o processo de prisão e pediu para que tudo fosse feito com muito cuidado. Correa informou, então, ao presidente que Arruda foi preso com a dignidade que todo preso merece. De acordo com auxiliares, a avaliação do presidente Lula é de que esse tipo de \\\"tragédia\\\" não ajuda no processo democrático e que \\\"ninguém é sádico, ninguém está feliz\\\" com a prisão de Arruda. No entanto, acrescentam as fontes, se o governador cometeu erros e a Justiça quer que ele pague, é assim que tem que ser. CARREIRA O governador José Roberto Arruda é dono de um currículo ímpar na política brasileira. Atraído para a vida partidária há 19 anos, Arruda ascendeu na esteira da redemocratização do País e da autonomia política de Brasília. Caiu em desgraça ao ser pego no escândalo da violação do painel do Senado, voltou à cena política com a humilde confissão de erro nos bairros mais populares de Brasília, foi o recordista de votos para o Congresso e derrotou o mito Joaquim Roriz, seu antigo padrinho ao eleger-se governado, em 2006. Hoje (11), acabou preso. FORMAÇÃO Mineiro de Itajubá (MG), engenheiro elétrico por formação, Arruda preparava-se para a disputa de seu segundo mandato no governo do Distrito Federal (DF), na \\\"chapa puro sangue\\\" que compunha com Paulo Octávio, quando foi apanhado pela Operação Caixa de Pandora há três meses. A prisão é o estertor de uma carreira esboçada a partir de seu ingresso no serviço público de Brasília, em 1979, e iniciada de fato 12 anos depois, quando foi integrado à equipe de governo do populista Roriz. Secretário de Obras, Arruda coordenou a construção do metrô e começou ali a trilhar a perigosa convivência com o jogo que envolve obras, propinas, empreiteiras e enriquecimento ilícito. Aprendiz de Roriz, Arruda disputou sua primeira eleição em 1994, com a ambição por uma cadeira no Senado, e sagrou-se o segundo mais votado. Mas descolou-se do padrinho político um ano depois, quando deixou o PP de Roriz para ingressar no PSDB.