BRASIL
Terça-feira, 11 de Maio de 2010, 20h:45
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MÁFIA CHINESA
Sem respaldo, Tuma Júnior 'tira férias'
A Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu apurar as denúncias que mostram ligações entre o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, e a máfia chinesa
VERA ROSA e RAFAEL MORAES MOURA
Da Agência Estado Brasília
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, decidiu na madrugada de ontem afastar o delegado Romeu Tuma Júnior do comando da Secretaria Nacional de Justiça. Informalmente, em conversas mantidas na tarde de ontem, o secretário disse que decidiu apenas "tirar férias" para se defender. A Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu apurar as denúncias que mostram ligações entre o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, e a máfia chinesa. Segundo a CGU, na última sexta-feira, foram solicitadas informações ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, sobre as providências já adotadas em relação ao caso. O secretário deixa o cargo uma semana depois de o "O Estado de S.Paulo" revelar as ligações de Tuma Jr. com Li Kwok Kwen, um dos líderes da máfia chinesa conhecido como Paulo Li e que está preso. A PF tem indícios que transformam o secretário em suspeito de "tráfico de influência" e de prática de "crimes contra a administração pública". Depois de um relato minucioso da PF sobre todos os indícios acumulados contra Tuma Jr. e os assessores Paulo Mello e Luciano Barbosa, coletados ao longo de quatro operações - Persona (2007), Trovão (2008), Wein Jin (2009) e Linha Cruzada (2009) -, o Planalto abandonou politicamente o delegado. Em uma série de reuniões na noite de segunda e madrugada de terça-feira, véspera do anúncio do seu afastamento, o governo combinou o script das "férias" com Tuma Jr. Apesar do discurso público de que não pode condenar ninguém a priori, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava que Tuma Jr. tomasse a iniciativa de deixar o cargo, o que não ocorreu. Pior: o secretário resistiu a sair, sob a alegação de que não cometeu nenhum crime. A solução intermediária encontrada pelo Palácio do Planalto foi a da licença. O ministro Barreto convenceu Tuma Jr. de que, se nada ficar provado contra ele no inquérito da PF, a retomada de suas funções está assegurada. Na prática, porém, a expectativa do governo é que ele não volte ao cargo. No diagnóstico do Planalto, a manutenção de Tuma Jr. - depois que a PF admitiu em nota oficial "diversos indícios" sobre o possível envolvimento do secretário com a máfia chinesa e até a tentativa de relaxar a apreensão de US$ 160 mil, no aeroporto de Cumbica -, poderia não apenas atingir o governo como respingar na campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. O cuidado para negociar a saída do secretário foi político. Motivo: Tuma Jr. é filho do senador Romeu Tuma (SP), ex-superintendente da Polícia Federal e integrante do PTB, um partido que está dividido no apoio a Dilma e ao candidato do PSDB, José Serra. O governo fez de tudo para não melindrar o aliado. Até mesmo a entrevista de Tuma Jr. ao programa "Brasil Urgente", de José Luiz Datena, no final da tarde de hoje, foi combinada com auxiliares de Lula. O chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, foi um dos que passou o dia de ontem e a segunda-feira em reuniões. O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, também foi consultado.