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BRASIL
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009, 19h:59

DENÚNCIAS

Sarney começa a perder apoio no PMDB

Na contramão da orientação do presidente Lula, a bancada do PT no Senado voltou a pedir ontem o afastamento do presidente da Casa, José Sarney

CAROL PIRES, CLARISSA OLIVEIRA e ROSA COSTA
Da Agência Estado – Brasília
Após a divulgação de gravações de diálogos que comprovam a atuação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na edição de atos secretos na Casa favorecendo integrantes de sua família, ele começa a perder apoio entre os senadores de seu partido. Em entrevista à Agência Estado, o ex-presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou ontem à tarde que apresentará, na próxima reunião da legenda, proposta de que Sarney se licencie da presidência para se defender das denúncias. Na contramão da orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PT no Senado voltou a pedir ontem o afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Diante dos diálogos divulgados pelo jornal 'O Estado de S.Paulo', em que Sarney discute com o filho Fernando Sarney a contratação do namorado de sua neta na Casa, o líder Aloizio Mercadante (SP) emitiu nota na qual considera "grave" a revelação. Em nome da bancada, ele afirmou que o Conselho de Ética do Senado terá de investigar "com rigor a possibilidade de participação direta" do peemedebista na promulgação do ato secreto que serviu para concretizar a nomeação. "É grave essa nova denúncia porque há indícios concretos da associação do presidente do Senado, José Sarney, em ato secreto de nomeação do namorado de sua neta", afirma o texto. "A bancada reafirma a sua posição de que o melhor caminho seria o pedido de licença da presidência da Casa por parte do senador José Sarney." PMDB A próxima reunião do PMDB poderá ocorrer a partir da primeira semana de agosto, com o fim do período de recesso do Congresso. Até o momento, PT, DEM, PSDB e PDT pediram que Sarney se licencie da presidência. No PMDB, apenas os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) - conhecidos por suas posições independentes dentro do partido - não apoiaram Sarney quando a crise estourou no Senado. Depois de Jarbas e Simon, Garibaldi Alves é o primeiro senador do PMDB a repensar o apoio à permanência de Sarney no comando do Parlamento. Mais recentemente, Simon passou a defender a renúncia de Sarney do cargo. A avaliação de Garibaldi Alves, que foi presidente do Senado entre dezembro de 2007 e janeiro de 2009, é de que "a situação do Senado voltou a se agravar" com as novas denúncias envolvendo Sarney em nepotismo e na edição de atos secretos. "Não tenho intenção de me confrontar com o Sarney, apesar de não ser do grupo dele, mas esta situação está ficando muito angustiante diante da opinião pública", disse Garibaldi. Ele ainda conversará com senadores do partido antes de definir uma postura independente. "O melhor seria articular dentro da bancada uma posição única, sem que cada um defenda uma coisa. Mas a bancada é muito resistente a qualquer medida que represente a diminuição do Sarney. Quem sabe agora com as novas denúncias a situação pode ter mudado", disse o ex-presidente. Na avaliação dele, a situação do Senado é "delicada", pois não haveria outro senador capaz de reunir apoio suficiente no governo e na oposição para assumir a presidência do Senado no caso de Sarney se afastar do cargo. "Não é que não exista outro nome de consenso dentro do PMDB. Não existe outro nome dentro do Senado todo", afirmou Garibaldi. Gravações feitas pela Polícia Federal com autorização judicial e divulgadas pelo jornal "O Estado de S.Paulo" mostram diálogos em que o filho de Sarney, Fernando Sarney, negocia com o pai a nomeação de Henrique Dias Bernardes, namorado de sua filha Maria Beatriz, para um cargo no Senado. Dias depois, o neto de José Sarney seria nomeado por ato secreto.

Edição EDIÇÃO 16962




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