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BRASIL
Terça-feira, 04 de Agosto de 2009, 20h:25

CRISE

Sarney adia seu discurso no Senado

Gabinete da presidência não soube informar motivo pelo qual pronunciamento foi cancelado. O discurso deve ser feito na tarde de hoje no plenário

CAROL FREITAS
Da AE - Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), adiou para esta quarta-feira, 5, o discurso que prometia fazer em plenário sobre a crise no Senado. A assessoria de imprensa do senador não sabe informar o motivo pelo qual foi adiado o pronunciamento, mas disse que o discurso será feito no final da tarde de quarta. Antes, às 14h, o Conselho de Ética do Senado se reunirá para decidir sobre algumas das 11 ações que foram registradas contra o presidente José Sarney. Na terça-feira, 4, senadores do DEM, PT, PSDB, PDT e PSB que defendem o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado se reuniram no gabinete do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), para discutir uma maneira de unir forças para obrigar Sarney a se afastar da presidência do Senado. No encontro, os líderes teriam decidido pressionar pela saída de Sarney do comando do Senado - desta vez, não em discursos individuais, mas por meio de nota, assinada pelas cinco legendas, que o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), apelidou de "frente pela dignidade do Senado". O teor da nota ainda depende do consentimento do senador Antonio Carlos Valladares (PSB-SE) e de uma decisão do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP). PT - O líder do PT, Aloizio Mercante (SP) disse ontem que a bancada de senadores do PT não endossará a proposta feita pela oposição de assinar uma nota conjunta pedindo o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Segundo Mercadante, "não há identificação" para o PT assinar uma proposta feita pelo PSDB e pelo DEM, embora a posição da bancada petista seja pelo afastamento temporário de Sarney do comando do Senado. "O PT mantém sua postura, defendemos a licença do presidente Sarney como ato de grandeza. Mas não há identidade entre o PT e a oposição para assinarmos uma nota juntos", disse o líder petista. Mercadante explicou que fez questão de participar da reunião de hoje de manhã com os líderes do DEM, PSDB, PDT e PSB, para "reverter o clima de guerra, de confronto, e restabelecer o debate", mas acrescentou que sua presença no encontro não o obriga a fechar um acordo com a oposição. Durante a reunião entre os líderes dos partidos, a oposição defendeu a unidade de todos para pressionarem Sarney a renunciar à presidência do Senado. Como a proposta não foi aceita pelo PT e pelo PSB, os líderes da oposição sugeriram que o pedido de renúncia fosse substituído por uma sugestão de afastamento temporário. Ainda assim, Mercadante e o senador do PSB Renato Casagrande (ES) pediram um tempo para consultar suas bancadas antes de dar o aval à nota. O senador Antônio Carlos Valadares (SE), líder do PSB, disse à Agência Estado que foi procurado pelo líder petista e que, "de comum acordo", decidiram não assinar a nota. De acordo com Valadares, os senadores da base aliada ao governo que defendem a licença de Sarney do comando do Senado tentarão fazer valer sua posição no Conselho de Ética, onde Sarney responde a 11 ações, inclusive acusado de quebra de decoro parlamentar. "O discurso deve ser levado para o Conselho de Ética. Radicalizar os discursos em plenário não resolverá a crise", disse Valadares.

Edição EDIÇÃO 16963




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