BRASIL
Sexta-feira, 22 de Junho de 2007, 19h:47
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Saito anuncia afastamento de 14 sargentos do serviço
ISABEL SOBRAL
Da Agência Estado Brasília
Após quatro dias de mais um capítulo do "apagão aéreo", o Comando da Aeronáutica reagiu ontem afastando da função de controladores de vôo pelo menos 14 sargentos considerados "lideranças negativas". Ao ler um comunicado recheado de palavras fortes e de recados aos controladores por causa do comportamento adotado desde terça-feira, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, anunciou um conjunto de nove medidas, como os afastamentos do cargo, na tentativa acabar com os atrasos e cancelamentos de vôos que se repetem há nove meses no País. "O momento é de extrema gravidade!", disse o comandante VIAGEM Saito, que chegou ontem de Paris, onde participava de uma feira internacional de aviação, responsabilizou os controladores pelos transtornos dos últimos dias admitindo que houve ações de sabotagem por parte dos profissionais. "De forma intransigente, um pequeno grupo desses sargentos controladores passou a recusar o trabalho em equipamentos, mesmo em flagrante choque com os pareceres técnicos que asseguravam a plena qualidade do serviço" afirmou o comandante. Ele destacou que essa postura dos controladores tem se repetido nos horários de pico do tráfego aéreo, causando diminuição do número de aeronaves controladas por eles a partir de Brasília e provocando atrasos em cascata no País. O comandante também criticou o que chamou de "estratégia de denúncias" e distribuição de "boletins de segurança" aos profissionais por parte das associações, o que desrespeita os regulamentos militares. "Este comportamento é inaceitável, porque violenta o inalienável direito de ir e vir das pessoas", frisou Saito. MEDIDAS As ações podem ser divididas em duas categorias: disciplinares e técnicas. Serão reformuladas as escalas de serviço. Para cobrir as vagas, controladores de outras regiões serão trazidos para a capital e controladores de defesa aérea, que atuam exclusivamente no controle de aeronaves militares, ajudarão no monitoramento dos aviões civis. Pelo lado técnico, serão criadas novas rotas para fazer fluir o tráfego aéreo das regiões mais congestionadas como o eixo São Paulo-Rio-Nordeste. A idéia é que alguns vôos sejam feitos por sobre o mar, desafogando o espaço aéreo da parte central do País. Equipamentos móveis de comunicação, normalmente usados em situações excepcionais, serão deslocados para dar suporte onde necessário e a modernização dos equipamentos usados hoje nos centros deverá ser acelerada.