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BRASIL
Terça-feira, 31 de Agosto de 2010, 19h:37

SIGILO

RF inclui mais 2 em caso de violação

LEANDRO COLON e ANA PAULA SCINOCCA
Da Agência Estado – São Paulo
A Corregedoria da Receita Federal incluiu ontem mais duas funcionárias como "acusadas" de envolvimento na violação dos sigilos fiscais de quatro tucanos. São elas: Ana Maria Caroto Cano, funcionária do Serviço Nacional de Processamento de Dados (Serpro) cedida à Agência de Mauá, e Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, lotada em Santo André, ambas unidades no Estado de São Paulo. NOMES Os nomes delas estão num memorando assinado pelo presidente do inquérito do caso, Levi Lopez, em que ele informa, dentro do processo interno, que as duas foram notificadas na condição de "acusadas". O memorando foi incluído na página 503 do processo administrativo. Agora, as duas se juntam às funcionárias Adeildda Ferreira Leão dos Santos e Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva, já investigadas e indiciadas por ligação com o episódio. Conforme revelou o Estado de S. Paulo semana passada, o computador que violou os sigilos fiscais de quatro tucanos também foi usado para abrir e imprimir a declaração de renda da apresentadora Ana Maria Braga, da Rede Globo. Os dados dela foram acessados no dia 16 de novembro do ano passado no computador da servidora Adeildda Ferreira Leão dos Santos, na delegacia da Receita em Mauá. Semanas antes, no dia 8 de outubro, o mesmo equipamento acessou os dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de três pessoas ligadas ao alto comando do partido. MANTEGA A oposição se mobiliza para manter em pauta o vazamento do sigilo fiscal de tucanos ligados ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Ontem, o vice-líder do partido no Senado, Álvaro Dias (PR), aproveitou o último esforço concentrado na Casa antes da eleição de outubro para apresentar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) requerimento no qual pede convocação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O sistema é vulnerável e nenhuma providência é tomada. O governo fala em balcão para venda de dados e nada acontece. O secretário (da Receita) não é demitido, o corregedor não é demitido. O presidente não se pronuncia", afirmou. "É um governo que abriga em seus subterrâneos marginais." Presidente da CCJ, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que, se houver quórum, colocará o requerimento de Dias em votação na sessão da comissão de hoje. "Estamos vendo no Brasil uma vulgarização das quebras de sigilo. Ao invés de as autoridades cuidarem, as pessoas que têm acesso estão drenando os dados para chantagem política", disse Demóstenes. "Tudo é feito com o objetivo de manter um grupo no governo. Isso é um crime praticado em regimes ditatoriais. Queremos no Brasil uma ditadura civil?"

Edição EDIÇÃO 16967




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