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BRASIL
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012, 20h:31

DESABAMENTO

Quatro corpos são retirados de escombros

Outras seis pessoas ficaram feridas no acidente. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil emitiram uma lista com o nome de pelo menos 16 desaparecidos.

Subiu na noite de ontem para quatro o número de mortos dos três prédios que desabaram na noite de anteontem na Avenida 13 de Maio, no centro da capital fluminense, segundo o Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, que informou que o quarto corpo, encontrado no início da noite por homens do Corpo de Bombeiros e agentes da Defesa Civil municipal, era de uma mulher. Também na manhã de ontem, três corpos foram retirados dos escombros, e dentificados: Cornélio Ribeiro Lopes, Celso Renato Braga Cabral e Moises Moraes da Silva. O corpo do porteiro do prédio Liberdade, Cornélio Ribeiro, de 73 anos, foi identificado por sua filha, Sandra Maria Ribeiro, de 40 anos, que relatou que o reconhecimento do pai só foi possível por causa de um aparelho celular, encontrado no bolso de Cornélio, que telefonou para ela minutos antes do acidente e o número ficou registrado. A filha da vítima informou ainda, que a esposa de Cornélio também estava no edifício no momento do desabamento. Segundo ela, o casal morava na cobertura do prédio. Já o segundo corpo é de Celso Renato Cabral Filho, de 44 anos, identificado por um amigo chamado Damião. O terceiro corpo que deu entrada no IML é de um homem, ainda não identificado. ATENDIMENTO A prefeitura do Rio ofereceu ao IML uma sala de atendimento para amparar os familiares das vítimas que aguardam por notícias de parentes que estariam soterrados entre os escombros. As famílias são assistidas por psicólogos e assistentes sociais da prefeitura, com o apoio da Cruz Vermelha Brasileira. Na manhã de ontem, os bombeiros receberam o reforço de três cães farejadores para realizar as buscas pelos desaparecidos. Também trabalham no local bombeiros que atuaram no Haiti após o terremoto ocorrido no início de 2010. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que os indícios apontam que é improvável que o desabamento de três prédios no centro do Rio tenha sido causado por uma explosão. A principal hipótese até o momento aponta para problema na estrutura de um dos prédios. "Provavelmente, houve uma falha estrutural do prédio maior - de 20 andares - que levou ao desabamento dos outros dois prédios menores - de 10 e quatro andares", afirmou o prefeito. Ele acrescentou ainda que a resposta definitiva sobre as causas do desabamento será dada pela perícia. Segundo o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) do Rio, não havia qualquer registro da obra que estava sendo realizada em dois andares de um dos prédios que desabou. De acordo com relatos de testemunhas, havia obras nos 3º e 9º andar do prédio. Os prédios da região foram interditados. De acordo com os bombeiros, eles não foram comprometidos, mas foram interditados por precaução. O prédio do Liceu Literário Português é um dos que foram esvaziados. Na Câmara Municipal, a poucos metros do local do desabamento, cerca de 40 pessoas, entre parentes e amigos das vitimas, aguardavam notícias na sacada do edifício, de onde é possível ver os trabalhos de resgate. Mais de dois andares de escombros acumulam-se ao longo da Rua 13 de Maio, onde se situavam os edifícios que caíram, e caminhões de entulho estão enfileirados pelo quarteirão para ajudar no transporte dos destroços. DESAPARECIDOS A busca por desaparecidos no desmoronamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro mantém as esperanças de que ainda haja sobreviventes sob os escombros. Em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, a poucos metros do local do acidente, chegavam a todo momento parentes e amigos de pessoas que trabalhavam nos edifícios e que ainda não foram localizadas. A diarista Francisca Eunice Vieira buscava informações da prima, Margarida Vieira Carvalho, que trabalhava como costureira e morava no último andar de um dos edifícios que ruiram. “A família está à base de calmantes, mas a esperança é a última que morre.”Afonso da Costa Menezes procurava a irmã, Kelly, que trabalhava em um dos prédios como técnica de segurança. “Me ligaram ontem (anteontem) e disseram que havia acontecido um acidente no edifício onde ela trabalhava. Aí eu tentei telefonar para ela, mas não tive resposta. A nossa esperança vai até o final.” O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, acompanhava de perto os trabalhos de escavação na montanha de entulho. Segundo ele, a prioridade é a busca por eventuais sobreviventes e o resgate de corpos. “Estamos com várias equipes apoiando o Corpo de Bombeiros. Neste momento existe a esperança de se encontrar vítimas com vida. O trabalho é lento, feito com cuidado.” Mesmo quem não perdeu conhecidos ou parentes, estava desconsolado, como o empresário Renan Magalhães Pimentel, que tinha uma livraria especializada em concursos públicos que funcionava havia oito anos no local. “A vida segue. Não nasci dono de livraria, nem com as roupas que tenho no corpo”, resignou-se. (Com Agências)

Edição EDIÇÃO 16962




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