Com o olhar voltado para 2010, o PSDB não quer votar agora a reforma tributária e isso pode abrir uma nova temporada de conflitos entre oposição e Planalto. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressiona seus aliados para agilizar a aprovação do texto já apresentado pelo relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), os tucanos preferem discutir o assunto dentro do foco da crise financeira que deve causar impacto na receita dos Estados e municípios. Essa posição é defendida pelos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), pré-candidatos do PSDB para a sucessão presidencial. Nas conversas com governadores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta minimizar a preocupação com a implantação das mudanças na legislação tributária. "A reforma tributária, se aprovada no Congresso, vai entrar em vigor apenas em 2011", tem repetido o ministro Mantega. Ou seja, eventuais desacertos terão de ser bancados pelo próximo presidente e os futuros governadores. Entre os partidos de oposição, o PSDB é o único que tem nomes para enfrentar uma eventual disputa com o PT na sucessão presidencial, por isso, esse discurso de Mantega soa como provocação. Em encontro com a bancada de deputados anteontem, o governador Aécio Neves pediu cautela aos tucanos até o desfecho da crise financeira.