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BRASIL
Quinta-feira, 14 de Junho de 2007, 20h:27

DESABAFO

Presidente volta criticar a imprensa

O presidente Lula disse que não vê nada "de bonito na imprensa brasileira" e que só lê notícias negativas nas manchetes

ADRIANA CHIARINI
Da Agência Estado - Rio
Um dia depois de criticar as notícias negativas da mídia, o presidente Luiz Inácio da Silva disse que os brasileiros precisam parar de falar mal de si mesmos. Anteontem, Lula disse que não vê nada "de bonito na imprensa brasileira" e que só lê notícias negativas nas manchetes. Ontem, Lula afirmou que é preciso parar de falar mal do Brasil. "Quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é o único país em que os brasileiros viajam para fora e falam mal do Brasil. Você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar [mal]." Ele voltou a dizer ontem que depende dos brasileiros à imagem que o país terá lá fora. "Nós é que temos que cuidar da nossa imagem, nós é que temos que cuidar daquilo que nós queremos preservar e nós precisamos cuidar da imagem que nós queremos ter aqui e lá fora." Lula visitou ontem o Cristo Redentor e pediu votos para elegê-lo como uma das sete maravilhas do mundo. "Falar bem do Brasil depende só de nós. Reconhecer as coisas boas do Brasil e reconhecer também as coisas ruins do Brasil depende só de nós. Para eleger o Cristo como uma das Maravilhas do mundo, nós não dependemos de ninguém, a não ser dos 190 milhões de brasileiros." O presidente afirmou que espera que os cerca de 50 milhões de votos que recebeu e os que não teve na eleição sejam dados ao Cristo. "Vamos votar e vamos dar ao Cristo o que ele merece: todos os votos dos brasileiros e das brasileiras." SETE MARAVILHAS Na última semana, as entidades revelaram que o Cristo Redentor está entre os dez finalistas para a eleição das novas Sete Maravilhas do Mundo. Em maio, o Cristo estava entre os 18 primeiros colocados. "Estamos surpresos e bastante otimistas na reta final", disse Sávio Neves, secretário-executivo da comissão organizadora da campanha no Brasil. Além do Cristo, foram anunciados, em ordem alfabética ontem, a Acrópole em Atenas, na Grécia; a pirâmide de Chichen Itzá na planície de Yucatan, no México; o Coliseu em Roma, na Itália; as estátuas gigantes da Ilha de Páscoa; a Grande Muralha da China; o sítio arqueológico de Machu Picchu no Peru; a cidade de Petra , na Jordânia; o Taj Mahal, na Índia; e a Torre Eiffel, na França. PROTESTO O protesto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã de ontem foi possível porque o espaço aéreo em torno do Cristo Redentor, no Rio, não foi fechado pelo Departamento de Controle de Espaço Aéreo (DCEA). O órgão é responsável pela emissão do Notam, documento que indica se há alguma restrição de vôo em determinada região. "Eu li a faixa, não estava ofensiva. Não havia impedimento de voar próximo ao Cristo. Então, aceitei o serviço. Se o protesto fosse agressivo, eu não teria feito", afirmou o empresário Marcos Lugão, da Propagaer Publicidades, a mais antiga em propaganda aérea na capital fluminense, com 45 anos de atividades. Lugão cobrou 600 reais pela confecção da faixa com os dizeres "Lula, cumpra acordo com os servidores". A hora de vôo saiu a 980 reais. Ele disse que não teme represálias, como a perda da concessão, por ter feito contrato com o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef). "O Lula tem uma vantagem. É o Lulinha paz e amor. Ele é tolerante e entende o protesto dos sindicalistas, porque já foi um deles", afirmou Lugão, referindo-se ao jargão de campanha. A reportagem procurou o Comando da Aeronáutica e não obteve resposta até 18h50.

Edição EDIÇÃO 16962




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