BRASIL
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010, 20h:20
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LIBERDADE
Por 8 a 5 STJ decide libertar Arruda
Arruda foi preso em fevereiro - por decisão do STJ - sob a acusação de coagir testemunhas e obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo do DF
LEANDRO COLON e EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado Brasília
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, ontem, por oito votos a cinco, soltar José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, preso desde o dia 11 de fevereiro numa cela da Polícia Federal. Em seu voto, o ministro-relator, Fernando Gonçalves, alegou não haver mais "razões" para a prisão preventiva de Arruda. A decisão do STJ contrariou posição do Ministério Público Federal. Em requerimento enviado ao tribunal, a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge pediu a manutenção da prisão de Arruda. Arruda foi preso em fevereiro - por decisão do STJ - sob a acusação de coagir testemunhas e obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Tentou, sem sucesso, um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, Arruda perdeu o cargo de governador. Foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Arruda deixou o DEM em dezembro depois da revelação do esquema de corrupção desmantelado pela Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro. Ele não recorreu da cassação e aceitou a perda da cadeira de governador. Em sua decisão, Fernando Gonçalves alegou que, segundo a Polícia Federal, as próximas diligências da investigação sobre o "mensalão do DEM" serão "técnicas", diminuindo as chances de Arruda interferir no inquérito. O ministro argumentou também que, cassado, Arruda também perdeu o poder de governador de atrapalhar a ação da polícia para apurar o esquema de corrupção. OUTROS BENEFICIADOS A decisão do STJ beneficiou outros cinco envolvidos no mensalão do DEM. Entre os que devem ser libertados está o ex-conselheiro do Metrô de Brasília, Antônio Bento, preso em flagrante durante suposta tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. Os demais são o ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB) Haroaldo de Carvalho; o ex-secretário de Comunicação do Distrito Federal, Wellington Moraes; o suplente de deputado Geraldo Naves; e o assessor do ex-governador, Rodrigo Arantes. EM CASA De calça jeans e camisa branca, o ex-governador José Roberto Arruda chegou no final da tarde de ontem à sua residência em Brasília acompanhado da mulher, Flávia Arruda, evitando conversar com os jornalistas. Arruda mora em um condomínio no Park Way, bairro de classe média alta de Brasília Coube a Fábio Peres, cunhado do ex-governador, a tarefa de conversar com os jornalistas que estavam no portão de entrada do condomínio. Segundo ele, Arruda, que cultivou uma barba grisalha enquanto esteve na prisão, está bem. "Graças a Deus, acabou. Vocês estão incomodando os moradores e por isso peço que vocês vão embora", disse Peres.