BRASIL
Quinta-feira, 13 de Março de 2014, 21h:56
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MANIFESTAÇÃO
Policiais militares em SP protestam com a Copa
O protesto contra a Copa do Mundo ontem em São Paulo concentrou mais de 2,3 mil policiais militares no centro da capital paulista, segundo o comandante-geral da PM, coronel Meira. De acordo com o major Mário Alves da Silva Filho, 200 agentes eram da chamada tropa do braço da PM. Ontem, a Justiça negou pedido de advogados para impedir a participação desse grupo da polícia na manifestação. O terceiro ato do ano contra a Copa foi convocado pelo Facebook e, até o início da tarde de ontem, contava com a confirmação de quase 14 mil pessoas. O protesto aconteceu a partir das 18h, com saída do Largo da Batata. "O Brasil receberá a Copa do Mundo de 2014, porém a população que não foi consultada é quem vai pagar o preço. Tudo não passa de um grande espetáculo com o dinheiro do contribuinte", diz a mensagem no Facebook, que convida os internautas a participarem do protesto. Os Advogados Ativistas, grupo formado por voluntários da área jurídica que acompanham as manifestações de rua em São Paulo, solicitaram o fim do cordão de isolamento e das revistas sem fundamento e ainda para que não houvesse ação policial contra os manifestantes. Os advogados pediram também que os policiais que atuavam na manifestação utilizem "de forma visível" a tarjeta de identificação, que não utilizem táticas de cercar e isolar participantes das marchas e que não sejam feitas prisões para averiguação. Ao proferir a decisão, o desembargador Roberto Mortari, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou que não se vislumbra, de pronto, violação ao direito constitucional de reunião. A tanto não se equipara a adoção, pelas autoridades públicas competentes, de medidas destinadas a assegurar que determinada reunião seja pacífica, ordeira e não cause transtornos para a coletividade. No documento que foi encaminhado à Justiça, os advogados lembraram da última manifestação contra a Copa, ocorrida no dia 22 de fevereiro, quando 262 pessoas foram detidas, entre eles diversos jornalistas. "Enquanto a manifestação percorria pacificamente as ruas do centro de São Paulo, a Polícia Militar interrompeu, sem legítima causa, utilizando-se da tática denominada Panela de Hamburgo ou kettling, nome derivado do termo em inglês kettle para chaleira e do alemão kessel para caldeirão, técnica que consiste em cercar e isolar as pessoas dentro de um cordão policial para posteriormente encaminhá-las ao Distrito Policial. Feita a Panela de Hamburgo, os policiais fecharam a rua com dois cordões de isolamento, de forma a manter, nos limites dos mesmos, isolados, os manifestantes que, repita-se, permaneciam em atitude claramente passiva", diz o pedido dos advogados. O protesto Não Vai Ter Copa, feito em fevereiro, reuniu aproximadamente 1,5 mil pessoas. Os 262 detidos foram encaminhados para sete distritos policiais da região central da capital paulista. Todos foram liberados após prestarem depoimento. Durante o ato, agências bancárias foram depredadas e houve confronto entre manifestantes e policiais. De acordo com a PM, 2,3 mil homens participaram da operação, sendo 200 com treinamento em artes marciais.