BRASIL
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 19h:49
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XEQUE-MATE
Polícia Federal prende 77 em 6 estados
Segundo a Polícia Federal, entre os presos estão policiais acusados de receber propinas, político e oficiais da Polícia Militar
Pelo menos 77 pessoas já foram presas ontem pela Polícia Federal durante a Operação Xeque-Mate, que tem o objetivo de desmontar quadrilhas especializadas em crimes como contrabando, corrupção e tráfico de drogas, além de envolvimento em jogos de azar. Entre os presos, segundo a PF, estão policiais civis e militares, acusados de receber propinas para facilitar as atividades da quadrilha, e um político do Mato Grosso do Sul. Os cerca de 600 agentes estavam cumprindo 87 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia e Minas Gerais. INQUÉRITO A ação resulta de dois inquéritos policiais comandados pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Fazendários da Superintendência Regional da PF no Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, durante as investigações foram constatados "alvos" comuns nos dois inquéritos. No primeiro inquérito era apurada a prática de contrabando e descaminho de componentes eletrônicos para o uso em caça-níqueis. Investigava-se cinco organizações criminosas que agiam no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rondônia. O esquema resultava na importação ilegal de componentes eletrônicos, na exploração ilegal de jogos de azar e na corrupção de agentes públicos, principalmente policiais. O segundo inquérito tinha como alvo investigar o envolvimento de policiais civis no tráfico de drogas em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Constatou-se, de acordo com a PF, que sete policiais cobravam propinas de criminosos, além de estarem envolvidos no comércio de armas de fogo e tortura. Em meio a esta apuração, descobriu-se ainda a ação de estelionatários ligados a uma quadrilha especializada no furto e desmanche de caminhonetes e a atuação de grupos criminosos na exploração de caça-níqueis em Três Lagoas e no interior do Estado de São Paulo. A manutenção do jogo e azar acontecia por meio de propina paga aos policiais civis. MS Dos 88 mandados, 77 foram cumpridos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia e Minas Gerais. Entre os empresários presos em Mato Grosso do Sul estão Jamil Name Filho e Nilton Cezar Cervo II. Name Filho é sobrinho do presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos (PMDB). Ele não quis comentar a prisão do seu sobrinho. Jamilzinho, como é conhecido, é filho da ex-vereadora de Campo Grande, Tereza Name (PMDB), irmã de Jerson. O ex-deputado estadual Roberto Razuk, empresário em Dourados, na região sul do Estado foi outro detido na operação. Ele foi condenado em 2003 a uma pena de 20 anos em regime semi-aberto por crime contra o sistema financeiro nacional, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Razuk cumpre a pena em regime semi-aberto. A Polícia Federal ainda não detalhou o envolvimento de Razuk com o jogo ilegal, alvo da operação. Foram presos 15 policiais - oito em Três Lagoas, na região leste do Estado, e sete em Campo Grande. Entre os presos estão três oficiais da PM: coronel Marmo Marcelino de Arruda, coronel Edson da Silva, e o major Sergio Roberto Carvalho. Também foi preso o delegado da Polícia Civil Fernando Augusto Soares Martins. O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini, disse que o governo do Estado "recebeu bem" a notícia da prisão de um delegado da Polícia Civil e de oficiais da Polícia Militar suspeitos de envolvimento com a máfia do jogo ilegal. "Significa que o trabalho está sendo feito. Bandidos não podem estar dentro das instituições", disse Jacini ao chegar ao prédio da secretaria no Parque dos Poderes. (Leia mais na página B1)