BRASIL
Sexta-feira, 03 de Dezembro de 2010, 20h:45
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TRANSIÇÃO
PMDB impede anúncio de ministros
Insatisfeito, o partido do vice-presidente eleito, Michel Temer, continua discutindo nomes para a formação da equipe de Dilma
EUGÊNIA LOPES E DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado - Brasília, DF
A insatisfação do PMDB com os rumos da composição ministerial impediu que a presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciasse ontem peemedebistas que farão parte de seu governo. Diante da rebelião do PMDB, a presidente eleita formalizou apenas os integrantes da chamada "cozinha do Palácio do Planalto" - deixando para a semana que vem o anúncio em bloco dos nomes de todos os peemedebistas que vão integrar o primeiro escalão de seu governo. Inicialmente, Dilma pretendia formalizar ontem os nomes dos peemedebistas Edison Lobão (MA), na pasta de Minas e Energia, e a manutenção de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura. O PMDB reagiu ao anúncio à conta gotas. A presidente eleita confirmou oficialmente ontem apenas a indicação de Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Martins Cardozo (Justiça). O nome de Alexandre Padilha na pasta de Relações Institucionais deveria ter sido ratificado ontem, mas saiu da lista de confirmados no último momento. A expectativa é que a presidente eleita consiga fechar o xadrez ministerial com os partidos aliados até meados da semana que vem O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), observou que o partido espera ganhar outros dois ministérios para compensar a perda da pasta da Integração Nacional, que deverá ir para o PSB, e das Comunicações, que ficará provavelmente nas mãos do petista Paulo Bernardo. "A diferença agora é essa: o PMDB se preocupa com o conjunto do futuro ministério. Não briga mais", afirmou. A decisão de brecar o anúncio de fragmentado dos ministérios do PMDB foi acertada na madrugada de ontem em uma reunião entre o futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, Temer e os líderes do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara. O receio dos peemedebistas é que a formalização de apenas dois nomes da legenda no futuro governo acabasse enfraquecendo o partido nas negociações ministeriais. Afinal, uma parte do PMDB seria contemplada imediatamente, enquanto o restante perderia "poder de fogo" para negociar mais espaço no governo. O PMDB reivindica cinco ministérios: dois com indicação da bancada da Câmara e outros dois com os titulares escolhidos por senadores. O quinto ministério seria uma indicação do vice-presidente eleito e presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP). O seu candidato é o ex-governador do Rio Moreira Franco. Nessa contabilidade não entra o peemedebista Nelson Jobim, da Defesa, considerado da cota pessoal de Dilma. Além de Minas e Energia e da pasta da Agricultura, o PMDB hoje era cotado para o Turismo e a Previdência. A ideia é que a pasta do Turismo fique nas mãos de um deputado. Um dos cotados é Mendes Ribeiro (RS). Sua eventual nomeação permitirá o retorno à Câmara do deputado Eliseu Padilha (RS), que ficou com a primeira suplência nas últimas eleições e é do grupo de Temer. No loteamento dos cargos de primeiro escalão, o Ministério da Previdência deverá sair das mãos do PT e ir para o PMDB com a nomeação de Moreira Franco. Nesse caso, o PMDB do Senado pleiteia outra pasta. Os candidatos são os senadores Garibaldi Alves (RN), Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE). Este último não estaria, no entanto, propenso a deixar o Senado para não dar vaga a seu suplente, o petista Valdemir Catanho. Eunício acusa o suplente de não ter feito campanha para sua eleição. Passados 34 dias da eleição presidencial, Dilma Rousseff enfrenta dificuldades em fechar seu ministério com os partidos aliados. Além do PMDB, os aliados pressionam por mais espaço no primeiro escalão. O PSB quer aumentar sua cota que, hoje, são de dois ministérios. O governador de Pernambuco e presidente nacional do partido, Eduardo Campos, já conseguiu garantir o Ministério da Integração Nacional. Uma das pastas que poderia ir para o PSB era o Turismo, mas hoje passou a ser cotada para o PMDB da Câmara.