Uma sessão da comissão do Senado que discute a defesa da mulher se transformou em bate boca ontem, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Representantes de entidades religiosas trocaram farpas com senadoras e representantes do governo quando o tema aborto entrou em pauta. Contrárias ao aborto, as religiosas se revoltaram quando a professora Lia Zanotta, da UnB (Universidade de Brasília) e representante do CFemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), disse que muitas mulheres morrem vítimas do aborto ilegal no país. ESPÍRITAS Aos gritos, a representante da Sociedade Espírita Auta de Souza, Maria Angélica Farias, protestou contra a postura da professora. O clima esquentou quando a representante da entidade espírita disse que a presidente Dilma Rousseff "quase perdeu a eleição por defender o aborto no país". "Eu falei por uns três minutos e me disseram que eu estava desacatando as autoridades. Mas não chamaram nenhum técnico contrário ao aborto, só gente a favor. O segurança disse que se eu continuasse a falar, seria retirada da sala", disse Maria Angélica. SENADORA A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou que não aceitava ser "desrespeitada" por uma convidada da audiência. "Não acho que tenhamos convidado pessoas técnicas para serem constrangidas. Essa é uma manifestação de desacato. Eu estou na minha Casa e respeito o povo", afirmou a senadora. A audiência foi marcada para discutir políticas públicas para a saúde das mulheres. Em defesa de Lídice da Mata, a senadora Ana Rita (PT-ES) também cobrou maior respeito das participantes.