BRASIL
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013, 21h:00
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ATLÂNTICO SUL
Patriota defende área livre de armas
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defendeu ontem que os 23 países que integram a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas) busquem o fortalecimento interno na tentativa de dirimir conflitos, como o de Guiné-Bissau, e consolidem o diálogo, a cooperação e uma área livre de armas. Patriota participa, em Montevidéu, no Uruguai, da reunião ministerial da Zopacas. Criada há 30 anos, a Zopacas se dedica aos temas de proliferação de armas nucleares e futura redução da presença militar dos países-membros em outras regiões do mundo. Paralelamente, os 23 países que integram o grupo se esforçam para a integração e colaboração regional com cooperação econômica e comercial, científica e técnica, política e diplomática. Integram a Zopacas latino-americanos e africanos. A região conhece ainda algumas situações que demandam nossos melhores esforços na promoção da segurança e da estabilidade institucional. É o caso da Guiné-Bissau, ressaltou Patriota. A crise vivida hoje por esse país sul atlântico e ademais muito próximo do Brasil, pelos laços da história e da cultura, é exemplo de uma situação com implicações sérias sobre o espaço do Atlântico Sul e à qual não podemos ficar indiferentes. Em abril de 2012, militares atacaram com granadas a residência do primeiro-ministro e principal candidato às eleições presidenciais de Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior. O ataque foi interpretado como um golpe de Estado. Houve mortos, feridos e vários políticos de Guiné-Bissau foram presos. A Assembleia da República Portuguesa condenou o golpe. É imperativo preservar o Atlântico Sul da introdução de armas nucleares e outras armas de destruição em massa. Devemos trabalhar juntos para avançar em direção ao objetivo da caracterização da área como zona livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa. É um objetivo estratégico comum aos países membros da Zopacas, disse o chanceler. COMÉRCIO Patriota destacou ainda que, no plano do comércio internacional, áreas marítimas, como as que englobam os oceanos Índico e Pacífico, atraem atenção, mas o Atlântico Sul é considerado decisivo, pois o Brasil, por exemplo, é a principal rota comercial na região. Pelo menos 95% das exportações e importações brasileiras passam pelo Atlântico Sul. Segundo o chanceler, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul foi concebida para a promoção de objetivos comuns em áreas relativas à paz e à segurança, mas também com uma ampla perspectiva de cooperação. Embora esses objetivos não tenham conotação diretamente econômica ou comercial, está em perfeita consonância com eles a promoção dos fluxos de comércio e de investimento entre as duas margens do Atlântico Sul, ressaltou o ministro. Patriota disse que o governo brasileiro tem incentivado, com base nos acordos de cooperação definidos no Plano de Ação de Luanda de 2007 e na Mesa Redonda de Brasília de 2010, cursos de capacitação técnica e profissional nos países que integram a Zopacas.