Com a provável candidatura única do petista Marco Maia (RS) para a presidência da Câmara, os partidos começam a se engalfinhar por cargos nas comissões permanentes, nas lideranças e na Mesa Diretora da Casa. Uma das posições mais cobiçadas é a liderança do governo na Câmara que, no momento, é alvo de disputa entre os próprios petistas. Caberá à presidente Dilma Rousseff tentar apaziguar o PT e decidir se mantém ou não o atual líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) no cargo. A bancada do PT na Câmara está dividida: parte é favorável à manutenção de Vaccarezza na liderança, mas outra parcela defende sua substituição. Os contrários à permanência do atual líder argumentam que Vaccarezza perdeu a legitimidade para continuar no cargo depois de ser derrotado por Maia na disputa interna do partido para ser o candidato à presidência da Câmara. O ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (SP) e o ex-líder Henrique Fontana (RS) aparecem como os cotados para assumirem a liderança do governo. Os aliados de Vaccarezza alegam, no entanto, que Chinaglia não tem condições de assumir a liderança do governo. Além de ser apontado por ter um temperamento "difícil", Chinaglia é acusado de não ter ajudado o governo Lula durante o período em que presidiu a Câmara (2007/2009). O grupo de Vaccarezza argumenta ainda que Chinaglia desistiu da corrida pela sucessão da Câmara porque não conseguiu viabilizar sua candidatura no PT. Já Fontana teria dificuldades de voltar a ser líder por ter ocupado o cargo e também por ser do Rio Grande do Sul, como Maia. Paralelamente à briga pela liderança do governo, os partidos também se digladiam por posições na Mesa da Câmara. O PMDB, por exemplo, tem sete candidatos ao cargo de primeiro vice-presidente. A bancada vai se reunir no dia 31 de janeiro para definir quem será o candidato oficial do partido. Mas desde já, os dirigentes peemedebistas têm consciência de que algum dos perdedores se lançará como candidato avulso, à revelia do partido. "Sempre tem candidatura avulsa", prevê o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Depois de aderir formalmente à candidatura de Marco Maia, o PR decidiu reivindicar ontem um "cargo melhor" na Mesa Diretora. O partido deveria ficar com a segunda secretaria, mas pediu para ocupar a segunda vice-presidência da Mesa. "Fomos o primeiro partido a aderir à candidatura do Marco Maia. Quem chega primeiro, bebe água limpa", resume o deputado Luciano Castro (PR-RR).