BRASIL
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008, 21h:41
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BOLSA FAMÍLIA
Oposição elogia e apóia reajuste
ANA PAULA SCINOCCA E ROSA COSTA
Da Agência Estado Brasília, DF
Perto da eleição, a oposição mudou o discurso e, no lugar de reagir criticamente ao reajuste de 8% do Bolsa-Família, apoiou a medida. "Com o aumento da inflação, o reajuste é inevitável. O pobre não pode pagar a conta", afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). Candidato a prefeito de Salvador, ele descartou o caráter "eleitoreiro" do reajuste. "Cada situação é uma situação", sustentou. Para o deputado do DEM, o governo errou ao não agir antes, deixando ocorrer o aumento da inflação. Na mesma linha, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), avaliou que o incremento de 8% no programa Bolsa-Família é necessário por conta da "incompetência do governo". "A inflação saiu do controle, agora não dá para penalizar os mais pobres", afirmou. Para Maia, "eleitoreira foi a redução da Cide" (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para a gasolina, o que, segundo o governo, compensaria o reajuste de 10% nas refinarias. "Querer reduzir a Cide-Combustível para livrar a classe média foi sim eleitoreiro. Agora, não dá para não reajustar (o Bolsa-Família), já que houve inflação sobre os alimentos", prosseguiu o presidente do DEM. Ainda no DEM, o senador Heráclito Fortes (PI) não quis entrar no mérito se o reajuste do Bolsa-Família "é justo ou injusto". "A medida, no momento em que foi tomada, é inoportuna", disse. Tucanos - Entre os tucanos, o discurso não foi muito diferente. O líder do partido na Câmara, deputado José Aníbal (SP), defendeu o reajuste. "Ele é importante, já que a cesta básica foi aumentada", defendeu. Para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), não há dúvida de que o aumento do Bolsa-Família é eleitoreiro. Mas, diante da inflação que cresce, especialmente o preço de alimentos, só pode ter "o apoio e a compreensão" de seu partido.