BRASIL
Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011, 20h:44
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REGIÃO SERRANA
Número de mortos no Rio sobe para 655
Há 1.970 desabrigados e 3.220 desalojados em Nova Friburgo; 1.280 desabrigados e 960 desalojados em Teresópolis; e 2.800 desabrigados e 3.600 desalojados em Petrópolis
NIELMAR DE OLIVEIRA e ALANA GANDRA
Da Agência Brasil - Rio
Subiu para 655 o número de mortos na tragédia provocada pelas chuvas e por avalanches de terra na região serrana do Rio de Janeiro na semana passada. De acordo com balanço parcial da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, com base em dados do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil estadual, Nova Friburgo continua com o maior número de mortos: 302, dez a mais que o total apresentado no boletim divulgado pela manhã. O município de Teresópolis tem o segundo maior número de mortes: 276. Petrópolis tem 58 e Sumidouro, 19. O número de desabrigados e desalojados (aqueles que tiveram que deixar as casas, mas poderão retornar quando os riscos diminuírem) continua inalterado em relação ao boletim da manhã de ontem. Há 1.970 desabrigados e 3.220 desalojados em Nova Friburgo; 1.280 desabrigados e 960 desalojados em Teresópolis; e 2.800 desabrigados e 3.600 desalojados em Petrópolis. BUROCRACIA O coordenador do Grupo de Análise de Risco da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Moacyr Duarte, disse ontem, que menos burocracia e mais investimentos em prevenção podem evitar a repetição de tragédias como a ocorrida na última semana na região serrana fluminense. Segundo Duarte o padrão de ocupação de regiões no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais, são suscetíveis a esse tipo de calamidade, provocada por fortes chuvas. O que existe hoje é, primeiro, uma limitação no enfoque do estudo. Quando a gente quer construir numa área dessas, o estudo enfoca sempre o impacto que o empreendimento pode fazer ao ambiente. E agora tem que se começar a incluir o impacto que o ambiente faz aos empreendimentos. Essa deve ser uma norma em áreas novas que começam a ser ocupadas pelo chamado ecoturismo, principalmente na Região Sudeste, onde essa prática é mais intensa, apontou o especialista da Coppe. Duarte informou que nas áreas afetadas pela tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, as ocupações não são recentes. Em Teresópolis, onde está localizado o bairro de Campo Grande, a ocupação data de 1947, quando foi inaugurado o campo de futebol, hoje utilizado para resgate das vítimas. São ocupações antigas. Em muitos casos, o estudo para autorizar a edificação nem existe. De acordo com Duarte, a burocracia excessiva impede os investimentos em prevenção. Ele citou o caso da Pousada Sankay, em Angra dos Reis, destruída pelas chuvas no início do ano passado, cujo estudo foi contratado em novembro, quase um ano depois da tragédia. O estudo inteiro leva seis, sete meses. Quer dizer, eu levo mais tempo para conseguir contratar o estudo do que para realizar o estudo. Então, há uma burocracia assassina no caminho das intenções de todos em fazer prevenção que tem que ser vista com seriedade. Na avaliação de Duarte, os governantes não podem ser responsabilizados diretamente pelo ocorrido, por conta das regras de fiscalização. Não é simples também para o governante conseguir os recursos para fazer a prevenção. Disse que há necessidade de uma mobilização da sociedade e dos administradores públicos nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) para que as obras de prevenção e os estudos que mapeiam as áreas críticas sejam feitos com mais celeridade.