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BRASIL
Quarta-feira, 25 de Julho de 2007, 21h:02

DEFESA

Novo ministro toma posse com carta branca

Nelson Jobim disse que ainda não possui um cronograma de ações para o setor aéreo e que, por isso, não há prazo para o fim da crise aérea

VERA ROSA, CHRISTIANE SAMARCO LEONENCIO NOSSA e NERI VITOR EICH
Da Agência Estado – Brasília
Depois de recusar duas vezes o convite do Palácio do Planalto, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, cedeu aos insistentes apelos presidenciais e tomou posse ontem no cargo de ministro da Defesa com ordem e liberdade para mudar tudo o que for necessário e resolver, de uma vez por todas, a crise aérea. Nelson Jobim disse que ainda não possui um cronograma de ações para o setor aéreo e que, por isso, não há prazo para o fim da crise aérea. Jobim afirmou que é preciso fazer "mudanças para fazer estruturação. Temos disparidade de ações. Como disse o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), falta comando. A hierarquia parte do ministro. Quem manda é o ministro", comentou. Alertado por Lula de que o ministério "tem muitos problemas", Jobim respondeu: "É, eu sei que, na prática, esse ministério não existe". Esse diálogo aconteceu na noite de terça-feira, no Planalto, quando Jobim recebeu o convite formal para assumir o cargo. O novo titular da Defesa só mudou de idéia e aceitou a "missão" de comandar a pasta depois de ser convencido pelos amigos Gilmar Mendes, do STF, e Sigmaringa Seixas, ex-deputado do PT , de que não se tratava de um convite, mas de uma convocação para resolver uma questão de Estado. "Venha com o espírito preparado. É uma briga", disse Lula, ao dar posse ontem a Jobim, numa referência à necessidade de reestruturar o Ministério da Defesa. "Você assumirá com todas as forças para fazer as mudanças que precisar fazer, onde precisar fazer." Como Jobim é filiado ao PMDB, seu ingresso no governo significa, em tese, que o partido ganha o sexto ministério na Esplanada. Na verdade, porém, a escolha do peemedebista teve caráter pessoal, e o PMDB não foi sequer comunicado do convite. Mesmo sem a interferência do partido aliado, não foi uma negociação fácil e quem sai perdendo, na prática, é o PT. Como a última investida de Lula para convencê-lo fracassara, na semana passada, o presidente foi forçado a preparar um plano B. A alternativa do governo seria deslocar o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para o lugar de Waldir Pires. "Você escapou por pouco", disse Lula a Bernardo na noite de terça-feira, confessando que já havia alertado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deixasse seu secretário-executivo Nelson Machado em alerta, porque ele poderia assumir o Planejamento. Lula queria uma solução rápida para dar respostas à sociedade depois da tragédia ocorrida com o avião da TAM, no último dia 17. Tudo estava praticamente acertado para uma solução caseira, diante da dificuldade do Planalto em encontrar um nome de fora, e com prestígio, para assumir o ministério em momento tão delicado. WALDIR PIRES A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota, no início da noite de ontem, afirmando que foi Waldir Pires - substituído onteme no cargo de ministro da Defesa por Nelson Jobim - quem tomou a iniciativa de pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser exonerado do cargo. A divulgação da nota é o último lance de uma seqüência de informações desencontradas divulgadas pelo Palácio do Planalto sobre as circunstâncias da saída de Pires do cargo, no décimo mês da crise no setor aéreo. Ontem pela manhã, assessores da Secretaria de Comunicação disseram à imprensa que foi Pires quem entregou o cargo. Depois, corrigiram a informação e afirmaram que o presidente Lula é que havia pedido a Pires que entregasse o cargo. Em seguida, o porta-voz oficial, Marcelo Baumbach, deu entrevista aos jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto e repetiu a versão de que Lula havia pedido a Pires o cargo.

Edição EDIÇÃO 16967




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