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BRASIL
Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011, 19h:45

AGRICULTURA

Novo ministro diz que prioridade é ouvir

Na transição de governo, Dilma pensou em nomear Mendes Ribeiro para esse ou outros postos. Só não o fez à época em razão de um obstáculo que persistiu até ontem

O novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), afirmou no final da manhã de ontem que sua prioridade na pasta é "ouvir, ouvir, ouvir". Mendes falou no Palácio do Planalto, depois de conversar com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Gleisi divulgou nota oficializando o convite ao deputado em nome da presidente Dilma Rousseff, que viajou para São Paulo. Perguntado se irá continuar com a "faxina" na pasta, Mendes brincou: "faxina? Estou chegando agora e meu negócio é agricultura". Ele afirmou que conversará hoje com Dilma para definir os primeiros passos. Sua posse deve ocorrer na segunda-feira. Ele disse ainda que irá conversar com ex-ministros da pasta. Ribeiro também saiu em defesa de Wagner Rossi, seu antecessor, que deixou o cargo após suspeitas de irregularidades. "Conheço o Rossi de longa data. Ele é muito habilidoso. Vou conversar com a Dilma e ouvir bastante", disse. Ele elogiou a condução do processo feita pela presidente e negou qualquer possibilidade de crise na aliança PT-PMDB. O novo ministro ressaltou que o vice-presidente Michel Temer participou da condução do processo de substituição na Agricultura, assim como queria o partido. "Tudo foi feito em conjunto com o Temer e foi da vontade de Wagner Rossi se afastar", disse. Sobre o processo de reestruturação na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Mendes Ribeiro disse que ainda tinha que se informar sobre a situação. Mendes Ribeiro não informou quem deve substituí-lo na liderança do governo no Congresso. No entanto, lamentou ter deixado o cargo sem ter aprovado a nova lei de acesso a informação. "Vou continuar trabalhando para que isso aconteça. Vou pedir para Dilma para também continuar como articulador." Antes de definir o nome, o vice-presidente afirmou que havia ao menos quatro candidatos ao posto. "Estudamos quatro ou cinco nomes. O novo ministro terá de ser ficha limpa como foi o ministro Wagner Rossi." Na transição de governo, Dilma pensou em nomear Mendes Ribeiro para esse ou outros postos. Só não o fez à época em razão de um obstáculo que persistiu até ontem: sua nomeação para o ministério abre espaço para que o suplente Eliseu Padilha (PMDB-RS) assuma a vaga na Câmara. O problema é que o PT gaúcho sempre foi contra essa alternativa, já que Padilha fez campanha contra Dilma no Estado na eleição passada. Para evitar problemas, o Planalto consultou o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT). Mendes Ribeiro foi um dos poucos peemedebistas a trabalhar por Dilma no Rio Grande do Sul. PERFIL Formado em direito, Mendes Ribeiro Filho começou a carreira política em 1974, como militante do MDB. Foi deputado estadual nas legislaturas de 1986 a 1990 e de 1991 a 1994. Antes de ser indicado para o Ministério da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho era líder do governo no Congresso. Na Câmara, estava no quinto mandato consecutivo como deputado federal. Além de líder, integrava a Comissão de Constituição e Justiça e de Redação e das comissões que tratam da Reforma da Previdência e da Reforma Tributária, além de integrar a Comissão de Reforma do Poder Judiciário. Em seu estado natal, presidiu o diretório do PMDB de Porto Alegre, de 2000 a 2003. E, em 2004, concorreu à Prefeitura de Porto Alegre. Entre 2007 e 2008 foi coordenador da bancada federal gaúcha. O ex-ministro Wagner Rossi deixou o cargo depois de admitir que viajou de carona no jato executivo de uma empresa do setor de agronegócio que mantinha contratos com o ministério. Há dias ele era alvo de denúncias publicadas pela imprensa com acusações de irregularidades na pasta. Na carta de demissão entregue a Dilma, Rossi justificou a decisão como resultado da pressão familiar e negou seu envolvimento em irregularidades. Por meio de nota, a presidenta disse que Rossi “deu importante contribuição ao governo com projetos de qualidade que fortaleceram a agropecuária brasileira”.

Edição EDIÇÃO 16966




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