BRASIL
Terça-feira, 26 de Junho de 2007, 20h:07
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APAGÃO AÉREO
Novas rotas comerciais começam a operar
Segundo a Infraero, 6,1% dos 1.483 vôos programados sofreram atrasos de mais de uma hora. Outros 69 (4,6%) foram cancelados
Novos corredores aéreos que ligam São Paulo ao Nordeste e vice-versa começaram a operar na tarde de ontem. Eles devem ser usados principalmente por aviões comerciais, para reduzir o congestionamento que existe atualmente entre as duas regiões. Os novos corredores têm mão-única e nenhum cruzamento. Eles operam em freqüências especiais, sob a coordenação de controladores de defesa aérea - e não de controladores de tráfego aéreo, como no restante da malha aérea nacional. O motivo da mudança é o fato de os controladores de tráfego aéreo estar em conflito com a Aeronáutica desde a semana passada, quando 14 profissionais do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília, foram afastados de suas funções. MOVIMENTO Relatório divulgado pela Infraero, ontem, às 19h30, informou que 6,1% dos 1.483 vôos programados sofreram atrasos de mais de uma hora no período das 0h às 19h30. Outros 69 (4,6%) foram cancelados ao longo do período e 13 (0,8%) permaneciam com atrasos às 19h30. O dia foi considerado tranqüilo nos principais aeroportos do país. No Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos (Grande São Paulo), dos 169 vôos programados entre as 0h e 19h30, 5 (2,9%) sofreram atrasos superiores a uma hora e somente 1 (0,5%) foi cancelado. Em Congonhas, das 168 operações do período, 9 (5,3%) tiveram atrasos superiores a uma hora e outros 10 (5,9%) foram cancelados entre as 0h e 19h30. PESQUISA A trégua dos tumultos nos aeroportos ocorre no mesmo dia em que uma pesquisa da CNT/Sensus informa que a população está dividida sobre o comando do tráfego aéreo no país. Para 43,8% dos entrevistados, o comando do tráfego aéreo tem de ser feito por civis. Já 42,2% afirmaram que o comando tem de continuar nas mãos dos militares. CONTROLADORES Falando por meio de um vídeo para uma platéia de mais de cem pessoas, a grande maioria de sargentos da Aeronáutica, o presidente da Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo (ABCTA), Welington Rodrigues, um dos 14 afastados do monitoramento de aviões civis, por liderar o movimento do dia 30 de março, rechaçou acusações que a categoria é formada por "sabotadores" ou "maçãs podres". Welington afirmou ainda, que o clima de trabalho no Cindacta 1 "é doentio" e que o governo "está jogando fora todos procedimentos de segurança", advertindo que isso poderá ter como conseqüência um grave acidente, a exemplo do que houve na França, em 1973, exatamente quando os controladores da defesa aérea assumiram o tráfego aéreo comercial. GUERRA A Aeronáutica usará equipamentos e estrutura de guerra para o monitoramento do espaço aéreo brasileiro. Os militares montaram tendas no lado externo do prédio do Cindacta-1 de onde alguns controladores da Defesa Aérea farão o monitoramento militar, vigiando, por exemplo, a entrada de aviões não autorizados nos céus do país. Eles usarão equipamentos de emergência, que são usados durante batalhas, no front. Dentro do prédio, controladores também da Defesa Aérea foram desviados para controlar aviões comerciais. Eles serão responsáveis pelo chamado tubulão, corredores aéreos ligando as regiões Sudeste e Nordeste e operam em freqüências especiais, que começaram a funcionar ontem.