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BRASIL
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 20h:53

DENÚNCIA

Médico Roger Abdelmassih é preso

GUSTAVO URIBE
Da Agência Estado - São Paulo
A Polícia Civil prendeu ontem à tarde o médico Roger Abdelmassih, dono de uma das mais famosas clínicas de fertilidade do Brasil. A prisão preventiva foi decretada nesta manhã pelo juiz Bruno Paes Stranforini, da 16ª Vara Criminal. O médico foi detido por volta das 15 horas, quando chegava à sua clínica, na zona sul da capital paulista. Ele foi levado para a 1ª Delegacia Seccional, no centro de São Paulo, mas transferido para o 40º Distrito Policial (DP), na zona norte da cidade, no início desta noite, onde ficam os detentos com diploma universitário. Abdelmassih foi denunciado em junho pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por estupro e atentado violento ao pudor contra pacientes. Ele foi acusado por pelo menos 60 mulheres de ter cometido abusos sexuais durante consultas. Abdelmassih é alvo de processo criminal que, desde julho, corre em segredo de Justiça. A ação apura denúncias apresentadas pelo MP-SP, segundo as quais pacientes do médico que passaram por tratamento de infertilidade em sua clínica foram beijadas à força e tiveram partes íntimas do corpo tocadas. Os supostos ataques teriam ocorrido enquanto as pacientes estavam sedadas ou voltando da sedação. Há ainda a denúncia de que uma das pacientes teria sido estuprada por Abdelmassih. Também pesam contra o médico 51 processos éticos abertos pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) na última terça-feira (11), baseados em denúncias de pacientes. O médico deve apresentar ao conselho sua defesa e testemunhas. Ainda não há prazo de julgamento dos processos, cuja pena máxima é a cassação do diploma. O advogado de Abdelmassih, José Luís de Oliveira Lima, informou que entrará hoje à tarde com pedido de habeas corpus para garantir a liberdade de seu cliente. Segundo ele, o pedido deve ser impetrado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Roger Abdelmassih havia sido indiciado pela polícia em junho, sob a acusação de estupro e atentado violento ao pudor contra pacientes. Caso o médico seja denunciado e condenado, as penas para os crimes contra cada uma das mulheres serão somadas. As penas para atentado violento ao pudor e estupro variam de 6 a 10 anos de prisão. A investigação sobre Abdelmassih veio a público em janeiro. Desde então, pelo menos 60 mulheres prestaram depoimento acusando o geneticista de assédio durante procedimentos médicos.

Edição EDIÇÃO 16962




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