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BRASIL
Terça-feira, 15 de Maio de 2007, 20h:49

ENTREVISTA

Lula rejeita 3º mandato e critica greve

Presidente Lula afirmou, durante entrevista coletiva, que quer fazer o seu sucessor e que esse não necessariamente será do PT

Na primeira entrevista coletiva de seu segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou ontem a possibilidade de disputar o terceiro mandato em 2010. Lula deixou em aberto a hipótese de apoiar o governador tucano Aécio Neves (Minas Gerais) para o cargo, mas disse esperar que a base aliada do governo tenha candidato único na disputa presidencial - com a esperança de fazer o seu "sucessor" para o posto. "Eu não brinco com democracia. Fui obrigado a ser candidato à reeleição. Sou contra e não serei candidato em 2010. Não é por nada não, é porque a Constituição não permite." Lula defendeu a pluralidade de forças políticas que compõem o seu segundo mandato ao justificar a escolha de antigos críticos de seu governo para o primeiro escalão do Executivo - como o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e o filósofo Mangabeira Unger. Lula disse que "muita gente vai ter que engolir" o que disse sobre o seu governo com o passar do tempo. O presidente negou que tenha reduzido o espaço do PT no primeiro escalão do governo, mesmo com a substituição de petistas para abrir espaço a partidos da base aliada. "O PT tem o privilégio de ter o cargo de presidente, o mais importante da República. Mais do que isso, é querer muita coisa", enfatizou. GREVE Sobre o projeto elaborado pelo governo para regulamentar o direito de greve no país, o presidente disse que se sente à vontade, como ex-sindicalista, para propor a discussão do tema. "A greve no setor público não pode ser feita como em uma fábrica", disse. Lula negou que o objetivo do governo seja proibir o direito de greve no Brasil. Mas criticou os que abusam do direito sem efetivas razões trabalhistas. "Não é possível que alguém faça greve 90 dias e receba os dias parados. Porque deixa de ser greve e passa a ser férias. Todos nós temos o direito de fazer greve, mas saber que não é tirar férias. Afinal de contas você ganha pelo dia que você trabalha, e não pelo que fica em casa." IBAMA Lula criticou a greve dos servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que protestam contra a divisão do órgão, proposta pelo governo. Segundo ele, "todos temos medo de mudança", mas a proposta de separação das áreas de licenciamento e de preservação ambiental é uma forma de se modernizar o Ibama. O presidente tentou minimizar os efeitos do movimento dos trabalhadores em projetos importantes do governo, como o licenciamento das hidrelétricas do rio Madeira (RO), e disse que não deixará para o seu sucessor um "apagão" no setor elétrico. Ao comentar as divergências entre as ministras Dilma Rousseff (Casa Civil) e Marina Silva (Meio Ambiente), Lula fez questão de dizer que qualquer disputa se encerra quando chega à sua mesa, porque a decisão do governo. ABORTO Sobre o aborto, ele disse que pessoalmente é contra. Mas que como chefe de Estado não pode se omitir sobre o assunto. "Eu tenho comportamento como cidadão, sou contra o aborto. E não acredito que tenha uma mulher nesse país favorável ao aborto, como se fosse coisa que as pessoas querem fazer. Mas como chefe de Estado, sou a favor de o aborto ser tratado como saúde pública, dar atenção a pessoas que tiveram gravidez indesejada", afirmou. CRISE AÉREA Lula responsabilizou parte da crise aérea que atinge o país ao que chamou de "falta de planejamento histórico" no setor aéreo brasileiro. Segundo o presidente, ainda é cedo para apontar culpados para a crise ou para o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, no ano passado. Mas reconheceu que, diante do sucateamento do setor nos últimos anos, a crise acabou ganhando força. "Estamos sendo vítimas da falta de planejamento histórico desse país. E agora temos que recuperar. Se algum aeroporto ou a Infraero gastou dinheiro a mais em publicidade, tem que se investigar. No mais, vamos continuar trabalhando nos aeroportos brasileiros porque eles precisam que a gente continue trabalhando", disse. VIOLÊNCIA O presidente disse, na entrevista, que o governo federal não é o maior responsável pela crise de segurança pública vivida atualmente no país. Segundo Lula, os Estados têm a prerrogativa de desenvolver ações de combate à criminalidade. "Na questão da segurança pública, o governo federal não é o foco principal. Somos a força auxiliar do sistema de segurança pública que é majoritariamente controlado pelos governos estaduais. Às vezes, temos que pedir autorização aos Estados para a Polícia Federal entrar. O governo federal só entra quando é pedido", disse. JUROS Na entrevista, Lula reafirmou que não irá interferir nas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) para forçar uma queda mais rápida da taxa básica de juros (Selic) e defendeu a autonomia do Banco Central. Ao ser questionado sobre um descompasso entre o ritmo de queda da taxa de juros e os avanços da economia brasileira, o presidente defendeu o Banco Central e disse que a taxa de juros vai continuar caindo sem que se faça a "estupidez" de uma intervenção.

Edição EDIÇÃO 16969




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