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BRASIL
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008, 20h:45

ONU

Lula propõe encontro para discutir crise

A proposta foi feita em um encontro reservado com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e, depois, no discurso de abertura da 63ª Assembléia Geral da organização

TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado – Nova York
Para combater os "fundamentalistas do mercado" e impor regras ao sistema financeiro, evitando que a "euforia dos especuladores transforme-se na angústia dos povos", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que as Nações Unidas (ONU) convoquem os presidentes dos bancos centrais e os ministros da Fazenda para uma conferência mundial que deverá discutir a crise econômica. A proposta foi feita em um encontro reservado com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e, depois, no discurso de abertura da 63ª Assembléia Geral da organização. Ban Ki-moon considerou a idéia "positiva". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também defendeu uma reunião especial de lideranças da ONU para tratar da crise financeira. Lula criticou duramente a "ausência de regras" para controlar e regular os investimentos financeiros, o que, na opinião dele, "favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores". Disse que é preciso adotar "mecanismos de prevenção e controle, e total transparência nas atividades financeiras". Depois de pregar a ética na economia, o presidente citou o economista brasileiro Celso Furtado (1920-2004) para dizer que é "inadmissível" que "os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializados". Arrematando o discurso sobre a parte da crise econômica com mais uma frase de efeito, Lula disse que "a economia é séria demais para ficar na mão dos especuladores" - uma adaptação da frase do líder britânico Winston Churchill (1874-1965), que dizia que a guerra era algo sério demais para deixar nas mãos dos generais. Lula dedicou toda a primeira parte do discurso de abertura da Assembléia-Geral da ONU à crise financeira dos EUA e o contágio provocado mundo afora. Pelo segundo dia consecutivo da viagem a Nova York o presidente falou da crise. Na segunda-feira, ele fez dois discursos e deu duas entrevistas advertindo para a gravidade da situação e tentando tranqüilizar os mercados em relação ao Brasil. Em sua fala, ontem, o presidente reiterou que "somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas". Na avaliação do governo brasileiro, "uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas".

Edição EDIÇÃO 16963




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