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BRASIL
Sexta-feira, 14 de Março de 2008, 20h:35

INFLAÇÃO

Lula compara volta a "doença desgraçada"

Presidente reforça mensagem da ata do Copom, na qual o Banco Central alerta para o excesso de demanda e os riscos de pressão inflacionária

RICARDO BRANDT
Da Agência Estado - São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o atual estágio de desenvolvimento da economia brasileira, mas fez um alerta para os riscos da volta da alta da inflação - classificada como "uma doença desgraçada" - com o consumo crescendo mais que a produção. "É preciso que a gente tenha cuidado porque, se cresce muito o consumo e a indústria não investe em novas fábricas, em nova produção, a gente tem de volta uma doença desgraçada, que nós não gostamos dela, que é a inflação, que muitas vezes favorece o rico e quem paga o preço é o pobre que vive de salário neste país", disse Lula em discurso na cidade de Araraquara, interior de São Paulo. O discurso de Lula reforça a mensagem da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada anteontem, na qual o Banco Central alerta para o excesso de demanda e os riscos de pressão inflacionária. Na visita a Araraquara, Lula inaugurou uma escola em homenagem à memória da intelectual Gilda Rocha de Melo e Souza e anunciou investimentos em saneamento e numa nova malha ferroviária para a cidade. No discurso, ele voltou a dizer que o momento que o País vive é mágico. "Eu me lembro que quando eu tomei posse a indústria automobilística me procurou dizendo: ‘Nós estamos quebrados, temos muita empresa querendo ir embora’. E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2 milhões e 200 mil carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009", disse o presidente. SEM MILAGRE Segundo ele, não houve milagre. O que existe hoje é uma maior facilidade de acesso das classes mais baixas a bens de consumo, por causa da possibilidade de parcelamento a longo prazo. "Durante 26 anos este país estava preparado para não crescer. Havia uma lógica entre os economistas do governo de que o Brasil não poderia crescer mais do que 3% ao ano. Nós queremos provar que o Brasil pode crescer 3%, 4%, 5%, 6% e quanto a economia suportar", argumentou o presidente. Segundo Lula, as pessoas tentam atribuir ao acaso o bom desenvolvimento da economia, e não ao seu trabalho. "Tem muita gente que diz que as coisas estão dando certo no Brasil porque o Lula tem sorte. Obviamente, que eu prefiro ser o Lula com sorte do que o Lula sem sorte, porque não há na vida nada que aconteça, para nenhum de nós, se a gente não tiver um pouco de sorte. Mas o que está acontecendo no Brasil é uma coisa que nós preparamos." O presidente disse que seu governo transformou um país que estava "quebrado", reconquistou o prestígio externo e recuperou as contas públicas. "Nós, que tínhamos apenas R$ 30 bilhões de reservas, dos quais R$ 15 bilhões do FMI, hoje temos quase US$ 200 bilhões de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris, não devemos a ninguém. Lula afirmou ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) viverá sua consagração e que ele vai viajar o País no primeiro semestre inaugurando obras.

Edição EDIÇÃO 16969




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