EUGÊNIA LOPES, LUCIANA NUNES LEAL e LEANDRO COLON
Da Agência Estado Brasília
Quatro semanas depois de confirmado à frente do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo anunciou ontem a escolha do delegado Leandro Daiello Coimbra para comandar a Polícia Federal. Daiello é atualmente superintendente da PF em São Paulo. O futuro ministro divulgou também que, por decisão da presidente eleita, Dilma Rousseff, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) será transferida do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para o Ministério da Justiça. "Foi uma decisão da presidente Dilma para que a política de combate às drogas fique casada com a política geral de segurança públicas", explicou Cardozo. Chefiada por um militar, a Senad passará a ser comandada por um civil. A transferência da Senad do GSI para o Ministério da Justiça vai ocorrer após a posse do futuro governo. Esse remanejamento vinha sendo estudado desde o final do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardozo. Durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff prometeu uma política forte de combate às drogas. Na época, pressionada pela plataforma do candidato tucano, José Serra, Dilma se engajou numa campanha de combate ao consumo de crack lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Leandro Daiello está à frente da superintendência da Polícia Federal em São Paulo desde 2008. Ele tem 44 anos e entrou para a PF em 1995. Já comandou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes e a Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários. Daiello é gaúcho e formado em direito pela PUC-RS. "A Polícia Federal tem quadros altamente qualificados. Entrevistei várias pessoas. O Leandro é uma pessoa de elevado gabarito que já prestou relevantes serviços ao país", afirmou o futuro ministro. Luiz Fernando Corrêa, atual diretor da Polícia Federal, decidiu se aposentar: o pedido foi publicado no Diário Oficial da União de ontem. Corrêa ficou três anos no comando da PF. Na semana passada, Cardozo entregou a Dilma uma lista tríplice com os nomes dos considerados para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, em substituição ao delegado Corrêa. Um dos mais cotados para o cargo era o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto. Ele acabou preterido na disputa, apesar de ser apadrinhado pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro, governador eleito do Rio Grande do Sul. "Não foi uma escolha simples", observou Cardozo. Ele reconheceu que demorou "mais do que esperava" para fazer a escolha.