BRUNO TAVARES e FAUSTO MACEDO
Da Agência Estado - São Paulo
A Polícia Federal vai indiciar o jornalista Amaury Ribeiro Júnior no inquérito sobre violação do sigilo fiscal de políticos tucanos e da empresária Verônica Serra e seu marido, Alexandre Bourgeois, filha e genro de José Serra (PSDB). O delegado Hugo Uruguai, que dirige a investigação, pretende enquadrar Amaury no artigo 325 do Código de Processo Penal, parágrafo 1.º, - incorre à mesma pena aplicada ao violador de sigilo funcional aquele que se utiliza do acesso restrito. A pena vai a até seis anos de reclusão se "da ação ou omissão resulta dano a alguém". A PF também estuda indiciar o jornalista por corrupção ativa, artigo 333 - oferecer vantagem indevida a funcionário público. Neste caso, a sanção vai de 2 anos a 12 anos de prisão. Ontem, o delegado Uruguai preparou intimação ao jornalista para depor pela quarta vez. As suspeitas da PF sobre a conduta de Amaury surgiram no início do inquérito, quando depôs o delegado federal aposentado Onésimo de Souza que relatou ter participado de uma reunião em Brasília com integrantes da equipe de inteligência da pré-campanha de Dilma, entre eles Amaury. Segundo o delegado, o jornalista disse: "Eu tenho dois tiros fatais contra o Serra." Onésimo contou que Amaury teria sugerido "métodos ilegais" para bisbilhotar adversários. Em nota divulgada à tarde, após reunião com seus advogados, Amaury afirma: "Com relação às notícias veiculadas na imprensa o jornalista Amaury Ribeiro Júnior esclarece que jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão e nega veementemente as acusações a ele atribuídas. O jornalista está à disposição da Polícia Federal e da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos."