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Sábado, 13 de Junho de 2009, 12h:07

VOO TRÁGICO

Identificação de corpos será lento e complicado

Os três corpos resgatados na quinta chegaram ontem em Fernando de Noronha

ANDREI NETTO, MONICA BERNARDES e ANGELA LACERDA
Da Agência Estado - Paris e Recife
O processo de identificação das vítimas – até sexta-feira foram resgatadas 50 das 228 pessoas que estavam no voo 447 da Air France - deve demorar. Ao contrário das buscas, que podem ser encerradas em até uma semana, nesse caso não há prazos claros. Na sexta-feira, dois parentes de vítimas do voo 447 tentaram a todo custo acompanhar os trabalhos no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. A Polícia Federal (PF) e a Secretaria de Defesa Social (SDS) vetaram a entrada dos familiares, que também não haviam feito nenhum agendamento prévio. A justificativa é de que, nesse momento, a visita não favoreceria os trabalhos. "A identificação às vezes é um processo longo. Há protocolos muito precisos e meios antropomórficos avançados, mas é preciso ser paciente para evitarmos erros", afirma Pierre-Jean Vandoorne, o embaixador nomeado pelo Ministério das Relações Exteriores da França para acompanhar a assistência às famílias das vítimas - de 32 nacionalidades. Ele chegou ontem ao Brasil. O giro de Vandoorne pelo País começa pelo Rio, onde está previsto um encontro com os parentes das vítimas. A seguir, o diplomata embarca para o Recife, onde se reunirá com peritos encarregados da identificação dos corpos. Por fim, parte para Brasília para encontros com autoridades do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Justiça. De acordo com a PF, há uma série de fatores pelos quais os parentes devem ficar longe do processo de identificação, incluindo: a situação dos corpos, que estariam irreconhecíveis mesmo para parentes próximos, por causa do avançado estado de decomposição e da ação de animais marinhos; a ausência de efeito legal de um eventual reconhecimento visual, na situação em que os cadáveres se encontram; a dificuldade de montar uma logística caso todos as 228 famílias quisessem fazer a visualização. Segundo a PF, a entrega ou apresentação de objetos pessoais encontrados com as vítimas também não poderá ser feita. "Esses pertences estão catalogados e depositados em recipientes lacrados. Essas peças poderão fazer parte das investigações, portanto, são provas materiais, que não podem ser manuseadas, sob o risco de serem contaminadas", afirmou a Polícia Federal, em nota. E fez um apelo. "Neste momento, a presença de familiares não vai auxiliar na identificação." RESGATE Os três corpos de vítimas resgatados na quinta-feira chegaram na manhã de ontem a Fernando de Noronha para pré-identificação em Fernando de Noronha. Eles não estão inteiros. Embora embalados separadamente, num trabalho realizado pela Marinha, foram transportados em um único saco mortuário pelo helicóptero H-60 Blackhawk. O helicóptero içou os corpos da fragata da marinha brasileira Constituição, que os trouxe da área de buscas, a cerca de 850 quilômetros de Fernando de Noronha, até a 50 quilômetros do arquipélago. De acordo com a Aeronáutica, não há dúvida que são corpos de três pessoas diferentes. Diante do tempo do acidente do Airbus da Air France que fazia o voo 447 do Rio para Paris, ocorrido no dia 31, é cada vez menor a probabilidade de serem localizados corpos na sua integridade. Também se tornam maiores as dificuldades para a sua identificação. Os corpos podem apresentar mutilações não necessariamente pelo acidente, mas pela exposição a animais e microorganismos marinhos, segundo legistas.

Edição EDIÇÃO 16962




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