BRASIL
Sexta-feira, 09 de Maio de 2008, 21h:46
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CPI DOS CARTÕES
Governo quer o depoimento de secretário
O deputado cassado José Dirceu defende o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, mas nega ser seu aliado
EUGÊNIA LOPES,e ELIZABETH LOPES e MOACIR ASSUNÇÃO
Da Agência Estado Brasília
O governo decidiu entregar a cabeça do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, e deu o sinal verde para sua convocação pela CPI Mista dos Cartões Corporativos. José Aparecido teria sido o responsável pelo envio para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), de arquivo eletrônico com cópia de planilha elaborada no Palácio Planalto com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. A convocação de José Aparecido e André Fernandes deverá ser aprovada na terça-feira em reunião da comissão de inquérito. Ao mesmo tempo, a oposição vai tentar aprovar uma nova convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, desta vez na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "Foi cometido um crime de abuso de poder e a ministra não falou a verdade ao dizer que não tinha dossiê", argumentou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Pelos seus cálculos, os oposicionistas têm chances de conseguir aprovar a convocação de Dilma na CCJ, caso obtenham os votos dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jefferson Péres (PDT-AM). DEFENDE E NEGA O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) defendeu ontem, em seu blog, o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, apontado pela Polícia Federal como responsável pelo vazamento do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar da defesa que fez de Aparecido, levado à Casa Civil à época em que era ministro, Dirceu ponderou: "José Aparecido não é nem meu aliado, nem meu ex assessor, e nem homem de Dirceu como registrado em manchete de um jornal. José Aparecido é secretário de Controle Interno da Casa Civil nomeado por um ex-ministro da pasta e mantido por sua sucessora." DIAS NEGA O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) defendeu mais uma vez, ontem, em entrevista à Rádio CBN, a punição dos responsáveis pela confecção do dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O parlamentar disse que agora que se descobriu quem divulgou o documento - referindo-se ao secretário de Controle Interno da Casa Civil (Ciset), José Aparecido Nunes Pires -, falta saber quem mandou fazer. "Não podemos ficar nessa de a corda arrebentar do lado mais fraco. José Aparecido presta serviços à Casa Civil, da ministra Dilma Rousseff, e lá há uma espécie de subministra, a funcionária Erenice Guerra. Não dá para excluí-las dessa história", afirmou Dias, para explicar porque defende a punição de gente mais graduada. Na visão do senador, o nome mais importante no caso do dossiê não é o do responsável por vazar os dados, mas o de quem pediu o documento - em sua opinião, com o intuito de intimidar os adversários políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva A ministra Dilma tem repetido que o documento não é um dossiê, mas um banco de dados, feito a pedido do Judiciário para tornar mais transparentes os gastos dos presidentes.