BRASIL
Terça-feira, 15 de Abril de 2008, 19h:42
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BIOCOMBUSTÍVEL
Governo decide reagir contra ataques
LISANDRA PARAGUASSÚ
Da Agência Estado Brasília
O governo brasileiro decidiu reagir com força total às tentativas recentes de vincular o aumento no preço de alimentos à produção internacional de biocombustíveis. A resposta às críticas começará a ser dada hoje no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 30ª Conferência Regional da Organização das Nações para Agricultura e Alimentos (FAO, na sigla em inglês), em Brasília. Sem meias palavras, o presidente se dirá assustado com as tentativas de vinculação da alta dos alimentos aos biocombustíveis. Especialmente, criticará o fato de, até agora, terem sido deixadas de lado as constantes altas do petróleo - insumo essencial para quaisquer transporte de alimentos no mundo - para responsabilizar a produção de combustíveis vegetais. Dentro do governo, a avaliação é que as críticas ao etanol escondem um lobby da indústria do petróleo e uma tentativa de desqualificar o combustível brasileiro. Até porque, o etanol que poderia estar causando algum tipo de inflação - o americano, feito de milho - não é diferenciado do brasileiro, de cana-de-açúcar. Em seu discurso amanhã, o presidente será direto. Acusará os críticos de tentarem encontrar respostas simplistas e tentarem travestir interesses econômicos maiores de "preocupações sociais". Dirá, ainda, que se impressiona com o fato de nenhum dos críticos dos biocombustíveis ser contra o impacto negativo dos subsídios e protecionismo internacional, especialmente dos países ricos, na produção internacional de alimentos e no conseqüente encarecimento dos produtos. Cobrará ações efetivas, e não paliativos, e lembrará a importância de finalizar as discussões da Rodada de Doha para melhorar a produção e a distribuição de alimentos no mundo. Lula defenderá, como já o fez anteriormente, que a inflação dos alimentos está ligada, essencialmente, ao fato de que mais pessoas estão comprando no mundo, especialmente nos países em desenvolvimento como Índia, China e o próprio Brasil. E se dirá surpreso pelo fato de esse aumento de consumo ter gerado críticas por parte de alguns países.