BRASIL
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009, 22h:40
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CASO SEAN
Família tem até hoje para entregar Sean
A determinação para que Sean ficasse com o pai biológico foi tomada na terça-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes
LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado - Rio
O menino Sean, que por ordem da Justiça brasileira terá de voltar aos Estados Unidos com o pai, David Goldman, será entregue no consulado norte-americano hoje, até as 9 horas, segundo confirmou a avó do garoto, Silvana Bianchi. Ela contou que está disposta a viajar para os EUA acompanhando o neto, mas que tem dificuldades para encontrar um voo para Nova York. A determinação para que Sean ficasse com o pai biológico foi tomada na terça-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes - ele derrubou a liminar que mantinha a criança no Brasil. "Ele (o menino) está muito triste, não queria ir. O Gilmar Mendes cassou um direito dele de se expressar, um direito de ele abrir a boca e dizer que não queria ir. Dentro do país dele, não é respeitado. Aqui dentro, tem a lei da mordaça. Se troca criança por acordo financeiro, acordo econômico", desabafou a avó, por telefone, no viva-voz, aos repórteres que estão na frente do hotel onde Goldman está hospedado em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo ela, a família tenta negociar com Goldman uma transição que seja menos traumática para o garoto. "A proposta é a gente tentar negociar uma transição. Porque isso vai ser um trauma na vida desse menino, do tamanho de um bonde. A criança não é um pacote que você despacha de um país para o outro. Essa criança tem alma, é uma pessoa. Os direitos não estão sendo respeitados. Para que tem o estatuto do menor e do adolescente? Para limpar chão?" Silvana disse que não falou com David Goldman e que o contato entre as duas partes tem sido feito pelos advogados. "É meu neto, estou há cinco anos com ele. Não vou largar esse menino como se fosse um pacote que se despacha via Sedex", disse. A LULA A avó materna de S.G., Silvana Bianchi, que, na terça-feira, enviou carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo ajuda para manter seu neto no País, cobrou ontem uma manifestação sua. "Cadê o nosso Lula, que tanto fala dos direitos humanos? Anteontem tivemos uma cerimônia de direitos humanos. Está só no papel?", indagou, em entrevista dada por telefone. Ela classificou de "crime hediondo" a decisão da Supremo Tribunal Federal (STF) de mandar o menino para os EUA com o pai. "Sean é brasileiro. O país expulsa ele para fechar acordo econômico. É crime hediondo", disse, referindo-se à suposta relação entre a posição do STF e a aprovação, no Senado americano, da extensão do programa de isenção tarifária que beneficia exportações do Brasil e de outros 131 países. "Agora a gente vai buscar (ajuda) com quem? Com o Senado americano, que está mandando aqui no Brasil? A gente tem um governo paralelo aqui dentro. Aqui tem um ministro do Supremo que cassa o direito de manifestação. A gente vive numa democracia", criticou. "Não tenho a menor ideia do que vai acontecer. É meu neto, estou há cinco anos com ele. Não vou largar esse menino como se fosse um pacote que se despacha via Sedex."