Ex-corregedor da Federal é condenado a 4 anos de prisão
MARCELO GODOY
Da Agência Estado - São Paulo
O delegado Dirceu Bertin, ex-corregedor regional da Polícia Federal, foi condenado pela 4 ª Vara Federal Criminal a 4 anos e 8 meses de prisão sob as acusações de violação de sigilo profissional e de corrupção passiva. Defesa e acusação vão recorrer. Os crimes de que Bertin é acusado foram apurados na Operação Anaconda, da PF, que levou em 2003 para a cadeia o então juiz federal João Carlos da Rocha Mattos. Bertin havia sido absolvido pelo 3.º Tribunal Regional Federal (TRF) da acusação de formação de quadrilha no caso Anaconda. Mas restava contra ele o processo em que é acusado de violar sigilo profissional duas vezes, de prevaricação, de advocacia administrativa e de uma modalidade de corrupção passiva em que o réu beneficia alguém por razão sentimental e não por causa de propina. O juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira decidiu absolvê-lo de uma das acusações de quebra de sigilo e das de prevaricação e advocacia administrativa, mas o condenou em relação aos outros crimes. Segundo a sentença, Bertin violou sigilo ao informar em janeiro de 2003 ao delegado federal José Augusto Bellini e ao agente César Herman Rodrigues que o superintendente da PF em São Paulo, Ariovaldo Peixoto dos Anjos, havia determinado a abertura de procedimento administrativo contra os dois colegas. O próprio Bertin telefonou a Bellini. Segundo a sentença, em razão das informações recebidas, Bellini passou a agir de forma ilícita , "intercedendo a todo momento frente a administração pública tanto federal como estadual a fim de que o inquérito policial instaurado contra si fosse arquivado e que o processo administrativo não chegasse a ser efetivamente instaurado".