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BRASIL
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008, 20h:59

1º SEMESTRE

Envio de lucros e dividendos dobra

FABIO GRANER e FERNANDO NAKAGAWA
Da Agência Estado – Brasília
As remessas de lucros e dividendos tiveram em junho mais um mês de desempenho acima das expectativas e encerraram o primeiro semestre de 2008 com um montante superior aos ingressos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), aqueles voltados para o setor produtivo. No primeiro semestre, as remessas das filiais brasileiras às suas matrizes no exterior atingiram o recorde de US$ 18,99 bilhões, quase o dobro do que em igual período do ano passado. Enquanto isso, os investimentos estrangeiros somaram US$ 16,70 bilhões. Nos primeiros seis meses de 2007, a situação era diferente: o investimento superava as remessas com folga. De janeiro a junho do ano passado, o IED de US$ 20,85 bilhões foi mais que duas vezes superior ao volume de remessas. Mesmo se forem descontados os cerca de US$ 7 bilhões atípicos em junho do ano passado, relativos à fusão das siderúrgicas Arcelor e Mittal e da venda da Serasa, o IED dos seis primeiros meses de 2007 ainda superaria os US$ 9,81 bilhões de remessas de lucros e dividendos daquele período. O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, explicou que as remessas sobem por conta da combinação de maior lucratividade das empresas, câmbio valorizado e problemas das empresas em suas matrizes, que estimulam remessas maiores das filiais mais lucrativas. Ele disse esperar alguma "acomodação" desse envio de recursos nos próximos meses, pois as multinacionais tradicionalmente remetem mais lucros no primeiro semestre. Lopes destacou que a maior participação das remessas e lucros no resultado das contas externas mostra "uma mudança estrutural" no balanço de pagamentos brasileiro - que registra todas as operações do País com o exterior. Para ele, a mudança é positiva, pois com o novo perfil é mais fácil fazer um ajuste nas contas, já "que lucro só se remete quando tem lucro". Ele lembrou que o perfil anterior do balanço de pagamentos tinha maior peso dos juros. Com ou sem expansão da economia, essa despesa existiria, ou seja, era um gasto rígido. "Essa (nova) estrutura do balanço de pagamentos é positiva e financiável", disse.

Edição EDIÇÃO 16966




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