Na viagem à Alemanha que tem início amanhã, a presidente Dilma Rousseff vai manter o discurso de que os países desenvolvidos provocaram um "tsunami" de dólares, prejudicando países emergentes como o Brasil. Segundo o assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, Dilma vai adotar o tom crítico no encontro com a chanceler alemã Angela Merkel. "O discurso da presidente foi um desagrado do Brasil em relação à forma como a Europa, os Estados Unidos e o Japão estão agindo diante da crise. Sem duvida nenhuma vai reiterar [à chanceler]." Segundo Marco Aurélio, Dilma já vinha adotando um tom mais duro para criticar as ações do mercado internacional. O governo brasileiro, de acordo com o assessor, quer detalhes de como as ações vêm se desenrolando para não trazer prejuízos à economia do país. "Ontem, evidentemente, com este mega empréstimo feito pelos bancos, nós queremos saber o seguinte: qual é o destino deste dinheiro? Se ele vai ser utilizado para desenvolvimento da zona europeia ou ele vai ser entregue aos bancos e os bancos vão fazer o que tem feito até então, que é jogando este dinheiro na especulação, ou mandar para países como o Brasil ou outros países emergentes", afirmou. Na opinião de Marco Aurélio, as ações dos países ricos podem "criar uma pressão absurda" sobre as moedas dos países em desenvolvimento, retirando a sua competitividade no cenário internacional. "Queremos que a economia europeia também se recupere, mas evidentemente ela não irá se recuperar se essa enxurrada de dinheiro que foi passada a dezenas de bancos na Europa for usada exclusivamente para fins especulativos." DIREITOS HUMANOS - Sobre a defesa do governo brasileiro da preservação dos direitos humanos em países como o Irã, Marco Aurélio disse que o país não tem "telhado de vidro" --por isso não pode se tornar o baluarte da defesa do tema no cenário mundial. "Nós temos problemas relacionados com direitos humanos que estamos tentando resolver todos os dias, isso é uma luta enorme. Temos de ser muito cuidadosos, não somos tribunal do mundo, não queremos exportar nossos valores."