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BRASIL
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2014, 19h:43

CONGRESSO

Dilma quer PTB na sua base aliada

VALDO CRUZ, SOFIA FERNANDES, MÁRCIO FALCÃO E GABRIELA GUERREIRO
Da Folhapress – Brasília
Em uma estratégia para reduzir o desgaste no Congresso, a presidente Dilma Rousseff fez um aceno ontem ao PTB minutos antes de oficializar a indicação do senador Armando Monteiro (PTB-PE) como o novo ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Dilma recebeu Armando Monteiro, que estava acompanhado de deputados e senadores correligionários, e afirmou que desejava conversar mais com o partido e disse esperar o apoio das bancadas em seu segundo mandato. Nas eleições deste ano, o PTB apoiou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa pela Presidência. A decisão da cúpula do partido chegou a ser questionada pelos deputados que preferiam permanecer com a petista. META FISCAL No encontro, Dilma convidou os líderes do PTB para a reunião que teve no início da noite com aliados para discutir a aprovação do projeto de lei que autoriza o governo a descumprir a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública em 2014, o chamado superavit primário. A proposta é considerada prioridade para o Planalto fechar as contas do ano, mas enfrenta resistências entre os aliados no Congresso. O senador Gim Argello (PTB-DF), inclusive, avisou que o senador Fernando Collor (PTB-AL) deve comparecer à reunião, uma vez que será o novo líder do PTB no Senado. A indicação de Monteiro, inclusive, vinha sendo criticado entre os congressistas por ter sido tomada sem ouvir as bases da legenda. REJEIÇÃO O PSDB pediu à Justiça Eleitoral a reprovação das contas da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição para a Presidência da República. Os tucanos afirmam, em representação encaminhada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no sábado, que as despesas declaradas apontam ilegalidades que impedem a aprovação das contas, como gastos superiores ao teto de R$ 295 milhões fixado pela própria campanha de Dilma -que somaram R$ 350,5 milhões. O PSDB afirma que, embora o PT tenha solicitado oficialmente ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a ampliação do limite de gastos, o pedido ocorreu dois dias antes do pleito - e foram executados antes do aval da Justiça Eleitoral. \"Com a apresentação das contas finais está comprovado que os gastos que ultrapassaram os limites foram realizados anteriormente ao pedido de alteração de valores\", afirma o documento do PSDB. Os tucanos também argumentam que o site Muda Mais, mantido pela campanha de Dilma, foi pago com recursos omitidos pelos aliados da petista. \"A campanha de Dilma Rousseff omitiu despesas relevantes de sua campanha eleitoral, cujo montante é impossível ser calculado\", afirma a representação do PSDB. Segundo os tucanos, a empresa titular do site, a Polis Propagandas, recebeu pagamentos da campanha detalhados na prestação de contas como \"produção de programas de rádio, televisão ou vídeo\", sem pagamentos relacionados à internet. Outro argumento do PSDB é que as despesas de Dilma com transporte ou deslocamento somam R$ 5 milhões, de acordo com a prestação de contas do PT, mas o valor estaria abaixo do efetivamente gasto -se comparado com a prestação de contas do ex-presidente Lula, que também usou a aeronave oficial do Planalto para suas viagens na campanha à reeleição. Segundo o PSDB, a despesa com os deslocamentos apresentada por Dilma cresceu R$ 288,7 mil em relação aos valores lançados por Lula. \"Ao que tudo indica, os valores apontados como despendidos pela candidata Dilma Rousseff não mostram qualquer razoabilidade quando confrontados com uma simples atualização monetária, quiçá se forem comparados com aquilo que legislação eleitoral prevê\", afirmam os tucanos. DEFESA Aliado de Dilma, o senador Humberto Costa (PT-PE) negou a existência de irregularidades na conta da petista. O senador disse que elas serão aprovadas pela Justiça Eleitoral porque a presidente não cometeu ilegalidades nos gastos. Costa disse que, apesar da análise das contas estar a cargo do ministro Gilmar Mendes, no TSE, elas serão aprovadas.

Edição EDIÇÃO 16967




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