BRASIL
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010, 19h:30
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CASA CIVIL
Dilma evita falar sobre escândalo e ataca Serra
ALFREDO JUNQUEIRA
Da Agência Estado Rio
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, preferiu criticar o seu principal concorrente na eleição, José Serra (PSDB), a fazer comentários sobre a série de escândalos que afeta a chefia da Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pasta que ocupou entre 2005 e 2010, e os Correios. Ao ser questionada sobre o assunto, a petista, que participou de rápido compromisso de campanha em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, alegou que não tinha condições de fazer uma avaliação, pois estava fora do governo e não tinha acesso a todas as informações. Informada que o tucano havia classificado o seu desconhecimento sobre as irregularidades na pasta como incapacidade ou cumplicidade, Dilma rebateu. Disse não acreditar que alguém saiba tudo o que está acontecendo na sua própria família e lembrou o caso de um integrante do PSDB de São Paulo que teria arrecadado R$ 4 milhões em doações mas não teria repassado os recursos para o caixa de campanha tucano. "Também não acredito que alguém saiba tudo o que aconteceu no governo dele (Serra). Até porque eu tenho visto que o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A, autarquia vinculada à Secretaria de Transportes de São Paulo) que ele nomeou sumiu com R$ 4 milhões da campanha dele", afirmou Dilma, referindo-se ao suposto desvio de recursos que teria sido feito pelo ex-presidente da autarquia Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. A petista também aproveitou para fazer críticas ao que chamou de "parcialidade do jornal Folha de São Paulo". Reportagem publicada ontem pelo veículo informa que uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) concluiu que Dilma teria favorecido uma empresa gaúcha de comunicação quando ocupava a Secretaria de Estado de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, entre 1991 e 2002. Em 2008, a mesma firma venceu concorrência e fechou contrato de R$ 5 milhões com a Secretaria de Comunicação da Presidência. Segundo a candidata, a matéria é "parcial e de má fé". "Queria fazer um protesto veemente contra a parcialidade do jornal Folha de São Paulo. Eu fui julgada em todos os anos pelo TCE, em 1993, 94, 95, 2000, 2001 e 2002. Todas as minhas contas foram aprovadas. Esta informação não está na matéria" protestou Dilma, muito irritada. "A matéria chega ao ponto de me acusar porque houve um contrato em 1994 e depois a empresa fez um contrato em 2009. É a única acusação de futuro que já tive na vida". Acompanhada pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e por dezenas de candidatos a deputado estadual, federal e senador, a petista ficou cerca de 20 minutos no local. Deu entrevista, tomou um café, fez um confuso corpo a corpo e foi embora.