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BRASIL
Quarta-feira, 08 de Julho de 2015, 20h:39

PETROBRAS

Desvio pode ser maior do que se imaginava, diz PF

O resultado de três meses de análise em extratos, movimentações financeiras e correspondências eletrônicas, feitas pela Polícia Federal na operação Lava Jato, aponta sobrepreço de R$ 648 milhões somente no contrato de montagem, construção, fornecimento de suprimentos e aditivos de unidades da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Os investigadores analisaram as contas de uma das obras da refinaria. As investigações concluíram que o prejuízo com a roubalheira na Petrobras é maior do que a própria estatal estimou. Segundo os investigadores, nessa obra, o sobrepreço chegou a 16% do contrato, mais que os 3% estimados pela Petrobras e por delatores da Operação Lava Jato. Os investigadores analisaram a quantia que o consórcio da obra pagava a fornecedores e o valor que era cobrado da Petrobras. Para alguns suprimentos, o preço é 1.600% superior. O contrato dessas obras está a cargo de um consórcio liderado pela Camargo Corrêa. Os policiais federais encontraram também repasses de R$ 126 milhões do consórcio a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro Na lista estão 31 empresas. Entre elas, a JD - Assessoria e Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, e a Costa Global, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. A JD recebeu R$ 844 mil entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. O dinheiro foi pago pela Camargo Corrêa. A Costa Global recebeu R$ 2,8 milhões entre outubro de 2012 e dezembro de 2013. O contrato da refinaria Abreu e Lima foi assinado em 2009, época em que Paulo Roberto era diretor da Petrobras. Um email mostra a conversa entre Paulo Roberto e um dirigente da Camargo Corrêa, confirmando que, pelo menos, parte do repasse para a Costa Global veio do contrato da refinaria Abreu e Lima. De acordo com o laudo, parte dos valores que o consórcio entregava para as empresas suspeitas de lavagem era repassada para políticos e partidos. O consórcio responsável pelas obras negou a acusação de sobrepreço. A defesa de José Dirceu disse que o ex-ministro foi contratado pela Camargo Corrêa para atuar no exterior e que já apresentou à Justiça cópias do contrato e das notas fiscais. O advogado de Paulo Roberto Costa disse que só vai se manifestar depois de ter acesso aos documentos e que a empresa Costa Global começou a funcionar depois que Paulo Roberto saiu da Petrobras. PEDIDO O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-deputado Pedro Corrêa, condenado no processo do mensalão do PT, passe do regime semiaberto para o fechado em razão das acusações contra ele na Operação Lava Jato, que apura fraudes na Petrobras. Corrêa cumpria pena de 7 anos e 2 meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro desde o fim de 2013 em regime semiaberto, quando é possível deixar o presídio durante o dia para trabalhar. Em abril, foi preso provisoriamente na Lava Jato e perdeu o direito de trabalhar. Para que Corrêa não volte a ter o benefício após ser liberado da prisão preventiva na Lava Jato, Janot quer que o Supremo estipule a regressão do regime semiaberto para o fechado na condenação do mensalão. A decisão deverá tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator das execuções penais do mensalão, após o recesso de meio de ano do Judiciario, a partir de agosto. O procurador argumenta que a Lei de Execução Penal autoriza que o preso vá para regime mais gravoso quando cometer uma falta grave. Segundo Janot, Pedro Corrêa continuou a cometer crimes preso. "Se o condenado Pedro Corrêa não se conduziu com a responsabilidade que lhe era exigida no regime semiaberto, persistindo na prática de crime doloso, incide, induvidosamente, na hipótese do inciso I do artigo 118 da LEP [regressão de regime]", diz Janot. O procurador indica ao Supremo que, como prevê a lei, Pedro Corrêa deve ser ouvido pelo Supremo antes de ser transferido do regime semiaberto para o fechado.

Edição EDIÇÃO 16965




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