ROLDÃO ARRUDA e RUTH COSTAS
Da Agência Estado - São Paulo
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", sobre o apoio de seu governo ao Irã e à Venezuela provocaram polêmicas. Na opinião do analista José Guilhon Albuquerque, professor titular aposentado de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da USP, do ponto de vista objetivo não há nada que justifique o apoio brasileiro ao iraniano Mahmoud Ahmadinejad. "Não é compreensível o Brasil apoiar e jogar tanto a favor de um país que é um pária internacional." RAZÕES PESSOAIS Para o especialista, esse apoio só pode ser compreendido a partir de razões pessoais do presidente Lula. "Ele tem uma espécie de obsessão pessoal por um papel de liderança internacional - que é compartilhada pelos formuladores da política externa de seu governo", disse. "Essa obsessão faz com que passe por cima de interesses econômicos, políticos, financeiros, regionais. Poderíamos citar uns dez episódios em que o País jogou todas as suas fichas, buscando esse papel de liderança, e fracassou. A lista incluiria desde a disputa por cargos de pequeno destaque em organizações internacionais ao caso de Honduras." DIFÍCIL Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor de Relações Internacionais Marcelo Coutinho disse que também considera difícil encontrar razões que justifiquem a aproximação com Teerã. "Há apenas hipóteses", afirmou. "Uma delas seria a influência antiamericana de determinados setores do governo e da diplomacia brasileira, que defenderiam relações com regimes antiamericanos." O professor Clodoaldo Bueno, do curso de pós-graduação em Relações Internacionais da Unesp, Unicamp e PUC, disse estranhar o fato de o Brasil se alinhar contra nações do Ocidente em momento tão delicado.