BRASIL
Sábado, 26 de Abril de 2008, 14h:38
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DIPLOMACIA
Dalai-lama aceita negociar com a China
O líder espiritual dos tibetanos, dalai-lama, deu hoje boas-vindas às possíveis negociações com a China, desde que estas sejam "sérias", disse ao retornar à Índia após uma viagem aos Estados Unidos. "Depende do tipo de conversa. Se forem conversas sérias, serão bem-vindas", declarou o dalai lama à imprensa em Nova Délhi, considerando insuficiente um "simples tête-à-tête", segundo a agência PTI. Anteontem, a Xinhua, a agência oficial de notícias da China, anunciou que, nos próximos dias, "departamentos pertinentes" do governo local manterão "contato e consultas" com um representante privado do dalai- lama. "A expectativa é que, através destes contatos e consultas, o dalai lama tome decisões confiáveis para frear as atividades destinadas a separar a China e deixe de conspirar para incitar a violência e interromper e sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim", destacaram as fontes. O dalai-lama vive exilado na Índia desde 1959, por conta de uma fracassada revolta tibetana contra o regime chinês. Em comunicado distribuído à imprensa, o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio em Dharamsala (Índia), Samdhong Rinpoche, aceitou a oferta chinesa para uma conversa, mas disse que, antes, seria necessária a recuperação da normalidade no Tibete, após a revolta ocorrida em março. "É necessário um retorno à normalidade antes do reatamento formal de conversas", disse Rinpoche, segundo quem seu governo está "disposto a dar todos os passos para isso." Rinpoche acrescentou que, para que o diálogo seja "produtivo", o governo chinês deve "reconhecer o papel positivo do líder espiritual tibetano ao invés de dar rédea solta à campanha de difamação contra ele." A China acusa o dalai-lama de tentar a independência do Tibete e de ter instigado os protestos de 14 de março na região.