BRASIL
Sábado, 04 de Dezembro de 2010, 13h:07
A
A
TRAFICANTE
Corregedoria investiga a fuga de Polegar ao cerco
Governos federal e estadual traçam novas ações de segurança no Rio
CLARISSA THOMÉ e VANNILDO MENDES
Da Agência Estado Rio
A corregedoria da Polícia Civil investiga a denúncia de que o traficante Alexandre Mendes da Silva, o Polegar, fugiu do cerco ao Complexo do Alemão escondido em um Gol descaracterizado da polícia. Ele teria fugido em direção à Região dos Lagos. As denúncias anônimas foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual e à corregedoria da Polícia Civil. Segundo o informante, Polegar estaria acompanhado de outro criminoso, identificado como Ninho. Eles teriam sido colocados no porta-malas de um Gol preto, dirigido por dois policiais, na manhã de sexta-feira, 26. Na véspera, havia ocorrido a fuga em massa de traficantes da Vila Cruzeiro em direção ao Alemão. A corregedoria do MP confirmou que a placa do veículo, citada na denúncia, é de um carro descaracterizado da 126.ª Delegacia de Polícia (Cabo Frio). Polegar era chefe do tráfico no Morro da Mangueira, na zona norte, mas deixou a favela por desavenças internas na quadrilha. Ele havia se mudado para o Complexo do Alemão, onde viva numa casa de três andares. No sábado, a Polícia Civil prendeu a mulher dele, Viviane Sampaio, de 32 anos, acusada de lavagem de dinheiro e associação para o tráfico Viviane morava com os dois filhos do casal em um condomínio de luxo, na Barra da Tijuca. PLANO O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reuniu-se na tarde de ontem com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e com o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. O encontro, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, serviu para traçar estratégias para a nova fase de operações conjuntas de segurança no Estado. Com apoio das Forças Armadas e da Polícia Federal, as polícias Civil e Militar ocuparam na semana passada as favelas do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o governo do Estado, a ocupação deve durar meses, até que seja implantada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local. FRONTEIRA Nos primeiros sete meses da Operação Sentinela, desencadeada desde 10 de março em caráter permanente na fronteira do Brasil, as polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) apreenderam 143,7 toneladas de maconha e cocaína. É um número três vezes e meio maior que as 40 toneladas de drogas apreendidas no Rio após a tomada da Vila Cruzeiro e do Alemão. No mesmo período, a operação apreendeu 1.115 armas de fogo de todos os calibres, incluindo fuzis, metralhadoras e granadas, muitas delas destinadas a facções criminosas do Rio e de São Paulo. A contabilidade das baixas no crime organizado inclui ainda 543,9 mil pedras de crack e 137,4 mil munições. O governo federal ampliou o cerco de fronteira para evitar que suprimentos de drogas e armas cheguem aos traficantes. Algumas ações foram espetaculares. Numa delas, em 1º de setembro, a PF apreendeu, em Foz do Iguaçu (PR), um carregamento de armas e munições de grosso calibre que iria para o Rio.