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BRASIL
Quarta-feira, 06 de Outubro de 2010, 19h:39

SEGUNDO TURNO

Convenção do PV no dia 17 definirá apoio

Participarão dessa plenária aproximadamente 90 pessoas, entre eles 5 representantes do Movimento Marina Silva, 5 colaboradores e 5 delegados religiosos

DAIENE CARDOSO
Da Agência Estado - São Paulo
O PV anunciou ontem que fará no dia 17, em São Paulo, a convenção para definir a posição do partido no segundo turno da eleição presidencial. Participarão dessa plenária aproximadamente 90 pessoas, entre eles 5 representantes do Movimento Marina Silva, 5 colaboradores do plano de governo, 5 delegados religiosos - integrantes de entidades cristãs -, candidatos da legenda que disputaram os pleitos estaduais, a executiva nacional da sigla e a coordenação da campanha da senadora Marina Silva (PV-AC), além de deputados eleitos da agremiação. POSTURA O presidente do Diretório Estadual do partido em São Paulo, Maurício Brusadin, adiantou ontem que a postura da minoria da legenda será respeitada e que cada militante terá o direito de ter um ponto de vista contrário ao que será definido. "Isso vale também para Marina", afirmou Brusadin. Hoje, um grupo formado por 21 cooperadores da campanha se reunirá para definir os dez itens da plataforma dela que serão sugeridos aos candidatos a presidente Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) "Vamos ver o quanto eles se comprometem com essas causas, mas também não vamos lidar com isso com a faca na garganta (de Dilma e Serra)." O presidente do Diretório Estadual do PV de São Paulo ressaltou que a negociação com petistas e tucanos será baseada no programa a ser apresentado a eles e que está fora de cogitação a discussão de cargos. "Não nos interessa ocupar cargo", avisou. DIVERGÊNCIAS Brusadin admitiu que existem divergências na sigla sobre qual rumo tomar. "A campanha de Marina é uma diversidade. É difícil dizer que tenha uma tendência porque há uma variedade de cores: há os verdes-verdes (os que pregam a neutralidade), os verdes-vermelhos e os verdes-azuis." De acordo com ele, os entendimentos não podem partir do princípio de acordos da agremiação com o PSDB ou o PT feitos no passado porque o resultado das urnas deu uma nova situação política ao PV. "Hoje, o PV é outro partido. São 20 milhões de votos", enfatizou. GABEIRA Em defesa do candidato derrotado a governador do Rio Fernando Gabeira (PV), Brusadin disse que a posição dele é um caso excepcional porque a candidatura foi viabilizada com o apoio do PSDB. "A posição dele tem a ver com a aliança estratégica dele. Alguns abriram o voto antes porque não tivemos a agilidade para segurá-los." NEUTRALIDADE Em reunião de mais de quatro horas, representantes de grupos sociais e colaboradores da campanha de Marina Silva (PV) à Presidência da República deram um indicativo de qual deverá ser o destino da legenda no segundo turno: a neutralidade. Embora a coordenação da campanha rechace a palavra "neutralidade" e prefira o termo "independência", o que imperou na reunião de hoje em São Paulo é a preocupação em manter o capital político herdado nas urnas. "Vamos fechar um posicionamento, isso não quer dizer apoiar um ou outro. Podemos ter a posição de ficarmos independentes", disse o ex-coordenador geral da campanha, João Paulo Capobianco. O dirigente considera "neutralidade" um termo equivocado por dar a impressão ao eleitor de que o PV não dá a devida importância ao segundo turno. "Neutro é um termo inapropriado, significa sem posição política. O correto é 'independente'", afirmou. Isso significa, em outras palavras, que há uma forte corrente na campanha que apoia a ideia de deixar a decisão para o eleitor, sem um posicionamento oficial de Marina favorável a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). "Minha linguagem não é de tutela com o voto do cidadão", sinalizou Marina nesta tarde, em coletiva de imprensa.

Edição EDIÇÃO 16967




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