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BRASIL
Quarta-feira, 23 de Março de 2011, 20h:33

ÉTICA

Conselho abre processo contra Jaqueline Roriz

Em reunião ontem, o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo de cassação contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM. Durante a sessão, Sílvio Costa (PTB-PE) criou polêmica ao dizer que seria "injusto cassar a deputada apenas pelo caixa dois", já que recursos não contabilizados em campanha existem em todo o país, e que "juridicamente ela não poderia perder o mandato". Costa explicou que tanto o regimento quanto a Constituição falam de decoro parlamentar. E como ela não era deputada na ocasião da filmagem, não poderia ser cassada. O vídeo é de 2006, época em que fazia campanha para ser deputada distrital. "Mas quero dizer que a decisão aqui é política e é bom que seja assim. Temos que ter a sinergia com a opinião pública, por isso, se eu puder votar, votarei pela cassação", disse. Sobre o uso de caixa dois, Costa disse que a deputada teria que ser cassada pelo conjunto da obra, que é toda a "sujeira que acontece aqui em Brasília delatada por Barbosa". "Não estou acusando nem defendendo o caixa dois, mas não dá para ser hipócrita. Infelizmente o caixa dois existe em todo o Brasil. Se me perguntarem se eu faço direi que não, mas sabemos que existe", disse. Costa sugeriu ainda que o ex-governador José Roberto Arruda, assim como todos os "tubarões" deveriam ser ouvidos. Segundo ele, "Jaqueline é apenas uma sardinha no meio de tubarões". Na semana passada, Arruda deu uma entrevista à revista "Veja" citando os democratas Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA). Todos os outros deputados que se manifestaram na reunião de hoje defenderam o julgamento da deputada. O relator do caso, Carlos Sampaio (PSDB-SP), além de julgar o mérito das denúncias, fará uma análise preliminar sobre a possibilidade de se analisar fatos ocorridos antes do mandato. Ele ressaltou que há precedentes que permitem a retroatividade. Sampaio praticamente descartou a possibilidade de ouvir outros deputados citados por Arruda, ao dizer que o Conselho não poderia ser transformado em um palco circense.

Edição EDIÇÃO 16963




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