BRASIL
Sábado, 09 de Junho de 2007, 13h:52
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Compadre de Lula é sócio de Servo em videobingo
RICARDO BRANDT
Da Agência Estado Campo Grande
Os documentos da Operação Xeque-Mate e os relatórios de transcrições de grampos feitos pela Polícia Federal mostram que Dario Morelli Filho, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tinha estreitas relações com o ex-deputado Nilton Cezar Servo, suposto chefe da máfia das caça-níqueis. Para a PF, Servo e Morelli são os proprietários de fato da casa de videobingo Deck Vídeo Bingo, em Ilhabela, no litoral paulista. A empresa está registrada em nome de Renato Costacurta Prata ME. Segundo a Polícia Federal, Renato Prata não passa de um laranja, que responderá por crime de falsidade ideológica. Os diálogos mostram que, além da sociedade entre eles, Morelli atuava com informações obtidas de policiais civis e até federais, pagava e intermediava o pagamento de supostas propinas. A PF diz que em algumas das conversas ficou claro que eles ofereceram propina a policiais civis de Ilhabela em troca da não apreensão de suas máquinas caça-níqueis nas diligências de repressão ao jogo de azar. No dia 4 de maio, um policial civil de nome Rubinho liga para Morelli a fim de avisar que agentes federais iriam fazer apreensões na região. O policial diz: A coisa tá feia. Ao que responde o compadre de Lula: A coisa tá feia, mas vou tocar do mesmo jeito. O policial então informa: Ligaram para ele para avisar que a Federal está atravessando para a ilha. Uma conversa do dia 7 de maio entre Morelli e Renato Costacurta Prata reforçam as acusações da PF de que Servo e Morelli eram de fato sócios numa casa de caça-níqueis em Ilhabela. Nela, Prata cobra seu pagamento. Morelli diz então que verá com Servo, mas que vai arrumar 500 (reais) agora e depois mais 500. Em seu depoimento à PF, Morelli negou ser sócio de Servo. Ele disse que era uma espécie de supervisor da movimentação de uma das casas de jogos do ex-deputado. O compadre de Lula foi indiciado em pelo menos quatro crimes pela PF: formação de quadrilha, falsidade ideológica, contrabando e sonegação. Outro alvo da operação é o irmão de Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá. Ele foi indiciado pela PF por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio na Justiça em troca de favorecimento a empresários dos bingos. Em depoimento, Servo confirmou ser amigo de Vavá. Já Morelli disse conhecer o irmão do presidente, mas afirmou não ter relação de amizade. PRESOS A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul afirmou ontem que 13 presos pela Operação Xeque-Mate foram liberados na noite de sábado, quando a Justiça prorrogou a prisão temporária de apenas 67 dos 80 detidos sob suspeita de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.