BRASIL
Terça-feira, 06 de Abril de 2010, 20h:54
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DIA DE CAOS
Chuva deixa 103 mortos e 1410 desalojados
Maior temporal da história do Rio deixa quase 100 mortos e quatro desaparecidos. A tragédia levou o presidente Lula, que estava no Rio, a apelar a Deus
MÁRCIA VIEIRA, BRUNO BOGHOSSIAN e PEDRO DANTAS
Da Agência Estado Rio
O maior temporal em 44 anos deixou 103 mortos no Rio até o fim da tarde de ontem, de acordo com o governo do Estado: 48 em Niterói, 16 em São Gonçalo, 36 na capital, 2 na Baixada Fluminense e 1 em Petrópolis, na Região Serrana. A maioria das vítimas morava em áreas de encosta, como em Santa Tereza, onde os deslizamentos mataram 14. A prefeitura calcula que pelo menos 1.410 pessoas estão desabrigadas, 368 desalojadas, 56 feridas e 4, desaparecidas. Em 14 horas, das 17h de segunda-feira até 8h de ontem, choveu 288 milímetros, volume maior que no trágico 1966, quando choveu 245 mm durante 24 horas, deixando 250 pessoas mortas e 50 mil desabrigados. O maior número de vítimas foi em 1988, quando 15 dias de chuva deixaram cerca de 570 mortos. DIA DE CAOS O Rio viveu um dia de caos. Das 17h de segunda até as 15h de ontem, a Defesa Civil da capital registrou 552 chamados A região metropolitana parou. Escolas públicas e particulares cancelaram as aulas. Bolsões de água nas principais ruas e avenidas impediram a circulação de carros e ônibus. Empresas dispensaram seus funcionários. O Centro do Rio ficou praticamente deserto. Doze bairros ficaram sem luz, prejudicando cerca de 30 mil pessoas. A Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da cidade, transbordou e invadiu as pistas. Os pedalinhos chegaram a ser carregados até o meio da rua. A circulação dos trens teve de ser alterada. A Ponte Rio-Niterói ficou fechada durante duas horas. Cerca de 60% dos voos atrasaram no Aeroporto Santos Dumont, que ficou fechado por quase três horas. PREVISÃO A meteorologia prevê que as chuvas continuem pelas próximas 48 horas, mas não há previsão de temporais. De acordo com o professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio, Jorge Henrique Prodanoff, temporal como o de hoje só daqui a meio século. Como a previsão é de mais chuvas, porém, a cidade está em alerta. O presidente da Light, Jerson Kelman, não descarta a possibilidade de um blecaute, caso volte a chover forte. As escolas públicas não vão funcionar e a prefeitura pediu que as particulares também continuem fechadas hoje. Os batalhões da Polícia Militar estão recebendo desabrigados. A prefeitura do Rio lançou a Campanha de Arrecadação de Donativos para auxiliar a população desabrigada. COPA E OLIMPÍADA A tragédia de ontem levou o presidente Lula, que estava no Rio, a apelar a Deus. "Quando o homem lá em cima está nervoso e faz chover, só temos que pedir a Ele para parar a chuva no Rio de Janeiro e que a gente possa tocar a vida na cidade", disse Lula. Apesar da situação caótica, o presidente garantiu que tanto os jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014 quanto os Jogos Olímpicos de 2016 estão garantidos. "Junho e julho são meses mais tranquilos. O Rio de Janeiro está preparado para fazer Olimpíada, para fazer Copa do Mundo com muita tranquilidade", disse o presidente, que pediu um minuto de silêncio pelas vítimas das chuvas durante a Olimpíada de Matemática, ontem à tarde. (Colaboraram Clarissa Thomé, Felipe Werneck, Luciana Nunes Leal, Kelly Lima, Gabriela Moreira, Wilson Tosta e Roberta Pennafort) MUSEU A diretora do Museu Internacional de Arte Naïf, Jacqueline Finkelstein, passou a noite de anteontem tentando salvar parte do acervo da instituição, molhado por conta de um vazamento no telhado. O prédio do museu, no Cosme Velho, na zona sul do Rio, é do século 19 e precisa de manutenção, que não é feita por falta de dinheiro. Com o temporal, a reserva técnica, que fica nos fundos do terreno, foi invadida pela água, e várias telas de artistas estrangeiros (do México, Haiti, Polônia, China) foram danificadas.