BRASIL
Quinta-feira, 10 de Março de 2011, 20h:22
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TABELA DO IR
Centrais vão enfrentar resistência
GORETTE BRANDÃO
Agência Senado - Brasília
Ao sentar para discutir o reajuste da tabela do Imposto de Renda com a presidente Dilma Rousseff, as centrais sindicais devem estar preparadas para ouvir que o governo não pretende ir além dos 4,5% já prometidos, o equivalente ao centro da meta da inflação do ano passado. É o que pensam senadores abordados sobre o tema ontem, véspera do encontro entre Dilma com os dirigentes das centrais, que reivindicam um reajuste de 6,5% para a tabela. O governo usa o número que lhe interessa, ignorando o direito do contribuinte a uma correção mais próxima da inflação acumulada, comenta o líder do PSDB, Alvaro Dias (PR). Para o senador Paulo Paim (PT-RS), o que as centrais estão propondo é uma reivindicação justa. Ainda assim, ele acredita que a tendência é o governo se fixar no reajuste de 4,5%, diante do quadro atual de cortes orçamentários que chegam a R$ 50 bilhões. Ele diz que não se trata de um quadro "apocalíptico", pois ainda assim a previsão é de que o país cresça 5% esse ano. Porém, avalia que as expectativas dos dois lados são muito divergentes nesse momento. O senador petista considera, no entanto, exagero o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que poderá haver aumento de impostos ou novos cortes para compensar a correção da tabela do IR. Ele entende que é uma forma de o governo marcar posição e conter o ânimo das centrais na discussão sobre o reajuste da tabela. A melhor tática de defesa é o ataque. Faz parte da arte da guerra e também de qualquer negociação, afirmou. Para Alvaro Dias, o governo está se colocando "na contramão" das promessas de campanha ao falar em aumento de tributos, quando o discurso da então candidata Dilma incluía a promessa de oferecer ao país a reforma tributária. Aumentar tributos seria consagrar a tese do estelionato eleitoral, disse o líder tucano. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chama também a atenção para os recentes ajustes no orçamento para defender posição mais cautelosa em relação ao reajuste da tabela do IR. Como observou o senador, os cortes atingiram despesas consideradas de grande utilidade, num esforço para que a inflação se mantenha no centro da meta estabelecida - de 4,5% ao ano. APOSENTADOS O reajuste da tabela não é o tema único do encontro entre as centrais e a presidente Dilma, lembra ainda Paim. Na mesa estarão temas de igual relevância como uma política de valorização dos benefícios dos aposentados e pensionistas e uma alternativa para substituir o fator previdenciário. Lembrou que o governo já havia se comprometido em oferecer uma solução depois do veto à emenda que acabava com o redutor, dentro de projeto sancionado pelo então presidente Lula. O próprio Paim é autor de projeto que acaba como o fator, já aprovado pelo Senado e que agora aguarda votação na Câmara dos Deputados.