BRASIL
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012, 19h:45
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RIO
Bombeiros, Civil e Militar decretam greve
O ministro da Justiça afirmou que não haverá "efeito dominó" em outros Estados dos movimentos grevistas comandados por policiais militares na Bahia e no Rio
VLADIMIR PLATONOW e PAULO VIRGILIO
Da Agência Brasil - Rio
Após a assembleia realizada na noite de quinta-feira, os bombeiros e as polícias civil e militar decretaram a greve das categorias no estado do Rio de Janeiro. Cerca de duas mil pessoas presentes na Cinelândia, no Centro, participaram da votação. Juntas, as três corporações somam 70 mil homens Até o início da noite de ontem 159 policiais foram presos ou punidos administrativamente no estado do Rio desde a decretação de greve da área de segurança pública, que também envolve bombeiros e policiais civis. O comando da PM divulgou nota no início da noite de ontem informando que a Justiça decretou a prisão preventiva de 11 militares da corporação, por conclamar ou incitar a paralisação, dos quais nove mandados já foram cumpridos. Outras medidas punitivas foram adotadas, incluindo a instauração de processos administrativos disciplinares contra 14 policiais, sete autuações em flagrante por crimes de desobediência e a instauração de 129 inquéritos policiais militares (IPM) contra PMs do Batalhão de Volta Redonda. Na mesma nota, o comando da PM reiterou que considera normal a situação em todo o estado do Rio de Janeiro. BOMBEIROS O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro divulgou nota informando que, até a tarde de ontem, 123 guarda-vidas foram indiciados por falta ao serviço. Todos serão presos administrativamente. A nota informa ainda que o comandante do 2º Grupamento Marítimo (Gmar), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, tenente-coronel Ronaldo Barros, foi exonerado do cargo. O comando-geral da corporação abriu conselho disciplinar para avaliar a conduta do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso desde a noite do dia 8, além de 15 guarda-vidas que representam o movimento grevista. Ainda segundo a nota, serão avaliadas as posturas do capitão Alexandre Marchesini e do major Márcio Garcia. O procedimento definirá as punições cabíveis aos envolvidos, podendo chegar à exclusão defintiva do Corpo de Bombeiros, finaliza a nota. NEGA O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou ontem que não haverá "efeito dominó" em outros Estados dos movimentos grevistas comandados por policiais militares na Bahia e no Rio. O ministro disse que a situação no Rio, onde os policiais decidiram pela greve em assembleia realizada anteontem à noite, está controlada. Segundo Cardozo, apesar da tensão gerada pelos movimentos, especialmente na Bahia, o carnaval será tranquilo em todo o país, ainda que essa tranquilidade tenha que ser garantida por tropas federais. "Não tenho a menor dúvida de que o carnaval transcorrerá em absoluta normalidade, na Bahia, no Rio de Janeiro, em todos os Estados brasileiros. O governo está pronto para mandar tropas, contingentes que forem necessários. Tenho certeza que os brasileiros vão brincar o carnaval com muita alegria", disse. O ministro ainda fez coro à rejeição manifestada ontem pela presidente Dilma Rousseff a respeito de uma eventual anistia aos grevistas envolvidos em atos de vandalismo. "A posição do governo é muito clara, somos contrários a qualquer forma de anistia. Não é possível que pessoas que tenham atuado praticando vandalismo sejam pura e simplesmente ignorados nos atos que praticaram. Todos devem respeitar a lei", afirmou, após a cerimônia de posse da nova ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci.