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BRASIL
Terça-feira, 15 de Abril de 2008, 19h:41

SOBRE O DOSSIÊ

Base cochila e oposição convoca ministra

A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de promoverem "golpes" para atrair a ministra Dilma ao Senado

ROSA COSTA
Da Agência Estado – Brasília
Desta vez, a oposição foi direto ao ponto. Irritada com a manobra da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que adiou seu comparecimento ao Senado, a oposição aproveitou novo cochilo da base aliada e a convocou para depor na Comissão de Infra-estrutura sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A convocação de ontem foi o primeiro capítulo de uma blitz desencadeada pela oposição. Há dois novos requerimentos de convocação no arsenal de tucanos e senadores do DEM, uma para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Meio Ambiente (CMA). Há menos de duas semanas, a comissão convocou Dilma com outro objetivo oficial: o de ouvi-la sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo sobre uma de suas obras, a usina de Belo Monte, no Pará. Na ocasião, a oposição avisou que interrogaria também sobre o dossiê. O depoimento para falar do PAC deveria ocorrer hoje. De iniciativa dos senadores tucanos, Flexa Ribeiro e Mário Couto, ambos do Pará, a aprovação dos requerimentos em votação simbólica só foi possível porque nenhum dos chamados aliados fiéis do governo acompanhava os trabalhos da comissão. A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de promoverem "golpes" para atrair a ministra Dilma ao Senado. "Nesta comissão temos de acompanhar qual é o próximo golpe da oposição", atacou. Ironizando o cochilo dos governistas, Mário Couto os comparou a camarões "que dormem fora de hora e são levados pela maré". O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou cancelar a primeira convocação, alegando que o tema está fora das atribuições da comissão. Tentou ainda transformar a convocação do último dia 3 em "convite", figura esta que não existe no Regimento do Senado e que, portando, só pode ser viabilizada mediante acordo de todos os membros da comissão. Ambos foram rejeitados pelo presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), sob a alegação de tratar-se de "matérias vencidas". Surpreendido, Jucá anunciou que recorrerá ao plenário. Ele ameaçou ainda "esterilizar" as comissões presididas pela oposição, desfalcando sua composição com a retiradas de representantes da base do governo. O procedimento seria inédito. A discussão na Comissão de Infra-Estrutura - convocada para sabatinar o candidato ao cargo de diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mário Rodrigues Júnior - mostrou o empenho dos governistas em manter a ministra Dilma Rousseff longe de parlamentares da oposição. Em nome da boa convivência, Jucá pediu a Mário Couto que retirasse seu requerimento. Ele negou. Pelo Regimento, os 30 dias para a ministra atender a primeira convocação termina dia 5 de maio, mas o líder reiterou ontem que ela só estará disponível depois do dia 29. Ou seja, às vésperas do feriado de 1º de maio, numa quinta-feira, quando a Casa estará esvaziada. Já o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), é autor de dois outro requerimentos convocando a ministra, nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e na Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Controle.

Edição EDIÇÃO 16962




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